segunda-feira, 22 de maio de 2023

Entre crônicas e bibliografias

 Alô, Alô aqui quem fala é a Eme!

Estou aqui tentando escrever meus textos para os trabalhos finais da minha última pós-graduação. Eu disse: ÚLTIMA! Eu ouvi um amém? risos

Claro que vou aproveitar que as aventuras da vida amorosa da Theodora estão mais parada do que água de represa para escrever meus trabalhos finais da pós. 

É por isso que ela sumiu um pouco daqui. Não tem nada pra contar coitadinha, nenhuma novidade sequer. Tá numa bad! Perdeu um amor e eu bem que avisei: Ninguém fala te amo assim tão rápido. Duvide sempre quando isso acontecer. E ela nem me deu ouvidos.

AH! ela também pegou conversa dele com a ex-namorada no computador. Ela me pediu pra não contar isso pra ninguém, mas pronto - falei.

Deixa ela lá no mundinho dela pensando na vida. Enquanto isso eu vou escrevendo meus textos, atualizando meu trabalho (porque ela com sua vida maluca, não me deixa trabalhar direito) e vivendo como tem que ser, viajando, passeando e trabalhando.

O verão está chegando e acho que vai ter muito texto legal da Théo. Ela vai viajar e vai ter uma baita história para contar. Já que ela deu um tempo na vida sentimental, a vida aventureira ela resolveu colocar pra jogo. Vem muita viagem e muita coisa boa por aí!

Enquanto isso, sigo eu, Eme, com meus textos sem saber o que escrever. São duas crônicas de 5 páginas cada! SOCORRO! Além disso tem também um texto bibliográfico. Tô na dúvida se faço uma biografia da Théo ou minha mesmo. 

Os dias por aqui estão meio sem graça. Não sei se é porque eu tenho muito trabalho ou se é porque os dias estão chuvosos. Morar perto do mar é vida, mas com chuva dá uma tristezinha danada!

Bom, já são 22h12 e o Mirtazapina já está começando a fazer efeito. Sigo sem conseguir começar os 3 textos que tenho pra entregar, mas foi bom vir aqui falar/escrever sozinha, sempre é!


Beijos de Luz pra quem é de Luz!

segunda-feira, 8 de maio de 2023

É preciso deixar ir

 Eu acredito que nada nessa vida acontece por acaso e no meio do caos da Theodora, uma viagem de última hora surgiu. Foi ela mesmo que inventou a viagem, ela sempre tem esses repentes e acha sempre que as feridas se curam quando ela está perto da família.

Não é bem assim que as coisas funcionam, mas ela é teimosa que só, lá se foi para o Brasil com uma bagagem de mão, muita saudade da família e um coração partido. De todos os lugares que ela ama no mundo, o Brasil é, sem dúvida nenhuma, seu canto, sua paz, seu respirar. É la que ela tem colo, que ela tem amor de verdade, cuidado e proteção.

É bom colecionar momentos felizes ao lado de quem se ama. O verde da grama cheia de flores brancas derrubadas com a chuva fina que caia quando ela chegou se uniram aos sorrisos e abraços de seus pais e fizeram com que tudo que a abatia desaparecesse. Sorrisos e abraços são sempre muito poderosos, principalmente quando são verdadeiros e cheios de amor.

Os dias eram alegres.  A cadela da Théo não saia de perto dela e a cada olhadela Magie recebia um abraço apertado que seus olhos que já eram esbugalhados por conta da sua raça, quase saltavam fora do rosto.

Théo não quis saber de comer carne de frango enquanto estava no Brasil. Essa foi uma das exigências feitas à sua maravilhosa mãe. É que Théo não é muito boa na cozinha e frango é a carne mais fácil e rápida de se preparar e é o que ela sempre faz quando está em sua casa cozinhando para ela mesma. Sempre com um tempero, uma maionese e 15 minutos na Air Fryer ela resolvia seu almoço.

As refeições eram sempre com todos à mesa. Casa cheia, alegria, felicidade e muito amor. Os laches e os cafés da manhã (pequenos alomoços) eram recheados de bolos de trigo com coberturas especiais, cafés, pães de queijos, sucos (sumos) e coca-colas - uma das paixões de Théo. Cada dia tinha um bolo diferente. Muito mimo para a pequena grande Théodora.

A casa estava sempre cheia de amigos, familiares e o coração da Théo também. Nem tinha espaço para falta de amor! Graças a Deus né?

Théo aproveitou o seu plano de saúde para fazer alguns exames de rotina que já estavam marcados antes do seu embarque para o Brasil. Sempre centrada, abril é o mês rotineiro para esses exames. Tudo certo, se não fosse uma imagem nova no seu transvaginal e ela se perguntando que diabos era aquilo.

 "Um pólipo, você precisa tirar isso do seu útero antes de ir embora".

 "O que é isso? Eu tenho uma semana aqui doutor, não posso ir embora com isso aí?"

"É preciso fazer uma biópsia, na maioria dos casos esses tumores são benignos, mas eles também podem não ser e não podem ficar ai."

"Eu posso ser mãe?"

"Com ele ai, NÃO".

Théo saiu do consultório sem saber o que fazer e pra onde ir. Atravessou a rua e tentou marcar um exame para a biópsia, Meu Deus, biópsia! Ela já sentia uma dor no peito só de mencionar essa palavra e existir a possibilidade de algo mal.

Não tinha vaga para o exame nem tão logo. Mesmo assim conseguiu para três dias depois um encaixe. O médico a atenderia na hora que desse certo. Na saída da clínica, do outro lado da rua, um carro branco parado, e uma mulher gritava seu nome. Era sua tia, que no meio de uma cidade com um milhão e meio de habitantes estava na hora certa e no lugar certo.

Théo já logo contou e dali partiram para um almoço sem nada combinado por elas, mas tudo planejado por Deus. Uma amiga que já ia almoçar com a tia de Théo, era grande amiga do dono da clínica que a Théo conseguiu um encaixe tardio para seu exame. Com uma ligação dela, a data do exame foi alterada para o dia seguinte como emergência. 

Dali Théo seguiu para uma tarde inteira de trabalho com o cliente que ela tinha no Brasil. Um médico cirurgião plástico. Ela já não conseguia pensar em que conteúdo criariam juntos ali, ela, ele e toda a sua equipe. Na cabeça dela a todo momento aparecia a palavra BIÓPSIA!

No final deu certo, fizeram os conteúdos e as fotos. Théo trabalhava com Marketing Digital. Já era noite quando ela chegou em casa, sua mãe a esperava no portão com um abraço que amparava suas lágrimas de medo, susto e incertezas. Um abraça que a trazia paz e conforto!

No dia seguinte, há exatamente 7 dias do seu voo de volta e de um trabalho marcado em Portugal que não se dava para adiar - Théo faria cobertura de um congresso de cirurgia plástica em Lisboa - o exame foi feito e o médico a tranquilizou sobre a procedência do pólipo. É benigno, mas vamos fazer a biópsia de qualquer forma para confirmar. fique tranquila. A cirurgia é de emergência, vamos fazer daqui a dois dias.

"Dois dias?  Meu Deus! Tenho dois dias para fazer os exames e o risco cirúrgico!"

Foi uma correria, uma loucura, mas ela conseguiu. Essa mulher é danada e Deus cuidou de tudo. Desde o começo foi Ele que a levou ao Brasil porque ele sabia que ela precisava cuidar disso o quanto antes; Deus dos detalhes, cuida de tudo. Até da colega de apartamento no hospital Deus cuidou.

Théo não podia ter acompanhante por ter mais de 30 anos, então subiu sozinha para a ala de internação. Quando chegou no seu apartamento, tinha uma moça linda, com infecção renal acompanhada da sua mãe. Duas queridas e lindas que fizeram as 24 horas da Theodora ali serem as mais confortáveis possíveis, mas ir para o centro cirúrgico deitada naquela maca parecia que ela estava andando no leito de morte. A sensação era a pior possível. Théo foi forte, a cirurgia correu bem e o médico voltou a falar em benignidade.

O tempo no hospital passou voando e de volta a casa, Théo foi ainda mais mimada e recebeu visitas e muito amor também. Voltou a conseguir dormir e a comer. Mais uma biópsia foi feita, dessa vez, de todo o pólipo que foi tirado do útero. Era muita confirmação para a cabeça da pequena Théo que a essas horas já estava dando voltas. Imagina ir de férias, curar um coração e do nada ter que fazer uma cirurgia de emergência por conta de um pólipo no útero. Foi eita atrás de eita.

Recuperação excelente e a vida seguindo normalmente. Théo não parou de trabalhar enquanto estava no Brasil. Com os horários diferentes dos clientes de Portugal e Alemanha, muitas vezes ela acordava no meio da madrugada para reuniões e planejamento com os clientes.

Cinco dias grudados na família e com idas e vindas ao hospital. É chegada a hora de voltar pra casa. A alta médica veio, tudo certo com o útero. Forninho pronto segundo o médico - termo usado para dizer que ali já pode receber um bebê. Théo logo pensou: "Agora falta o arranjar um pai que preste". risos

O voo de volta foi tranquilo e a chegada também. Uma recepção boa que a Théo sentia saudades. Apensar dos pesares, é bom saber que em algum momento alguém te espera no desembarque. Ela lembrou do abraço caloroso da última despedida e de repente aquele esperar ali já não fazia mais tanto sentindo como fez um dia, mas foi importante. 





domingo, 9 de abril de 2023

Os filmes que nunca foram vistos

O tempo era bom, os sorrisos eram singelos e distribuídos na medida que cada um precisava. 

Massa com molho de soja e camarão, acho que foi esse o primeiro menu. O sofá era o melhor lugar da casa, aconchegante e cheio de almofadas fofinhas. Ah, e tinha também um cobertor bem quentinho cinco estrelas. Era ali que os dois viajavam e despejavam um sobre o outro os desejos e sonhos do coração. A sintonia era incrível e quase todos os sonhos eram incomuns. O coração de Théo ficava quentinho de tanto amor.





EM CONSTRUÇÃO...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Em busca do amor perfeito (Parte 2)

Na foto do perfil ele usava uma camisa branca por baixo e um suéter preto. Estava em uma mesa de restaurante que tinha uma boa aparência. Miguel era educado e a conversa também era sempre maravilhosa. Dizia gostar de arte, de almoços com os pais e compras com os primos. Era canceriano. Fazia aniversário um dia antes que a Théo.

A conversa fluía como águas correntes. Falavam sobre perfumes - tinham os mesmos gostos e gostavam dos mesmos países. Ele dizia falar 5 línguas, enquanto Théo apenas o Português e “malé mal”. Alguns restaurantes em comum e um dilema - ele não gostava muito de dançar, mas mesmo assim plim plim, os olhinhos dela piscavam forte a cada mensagem recebida durante seus dias de amor virtual.

Miguel parecia perfeito, mas dizia não usar o whatsapp. Hoje em dia quem é que não fala no whatsapp? Para ele era importante preservar sua descrição, diante disso, convidou Théo para um café. Imediatamente veio um estalo à sua mente e ela se lembrou do “Edu Guedes” – o fake das Bahamas -  e disse em pensamento: “E se ele não for o cara da foto? E na verdade, for calvo, bem mais velho de que 47 anos com cara de avô?”

Já imagino a cena na minha cabeça: Théo, toda elegante, de botas pretas altas até o joelho, meias calças/colant preto, uma bermuda preta e uma blusa de linha azul – aquelas bem quentinhas e elegantes, por baixo de um casaco preto que vai até o joelho também, chegando no café vazio com uma única mesa ocupada. Nela, um senhor de óculos espelhados – isso é apavorantemente brega, sem cabelos na cabeça, com os olhos fixados na tela do celular enquanto tomava seu “abatanado” (um tipo de café cheio e mais fraco). Ela entrava, olhava para todos os lados, avistava o único senhor no recinto e saia disfarçadamente desesperada como se tivesse errado de endereço. Risos

Depois do convite para o café, Théo imediatamente mudou de assunto. Ela não estava preparada para um encontro com qualquer pessoa que fosse. A ideia era encontrar alguém no aplicativo, mas ela não pensou na fase de que teria que se encontrar com essas pessoas para conhecer o tão esperado match perfeito.

Theodora insistiu no app de mensagens instantâneas mais usado no mundo. Jogou o seu número na conversa com Miguel e saiu do aplicativo de relacionamentos na esperança que ele falasse com ela no Whatsapp. Afinal, ela precisava saber se ele era de verdade.

Se passaram dois dias e nada do bonito aparecer. Théo resolveu voltar para o aplicativo pra ver tinha alguma mensagem. Enquanto isso, o App continuava a ofertar novos perfis. As fotos iam de um extremo ao outro de impacto. Alguns homens posavam dentro de carros com símbolos fortes no volante, alguns sem roupa, em praias, com cachorros, em festas com a bio “Carpe Diem”, outros não mostravam rostos. Milhares na academia que em Portugal chamam de Ginásio.

Tinha esses e tinha o Joaquim que descrevia na sua bio que era um gajo simples, divertido, gordinho, amigo do seu amigo e “acima de tudo solteiro e bom rapaz”. Ser solteiro nesse país e estar nos aplicativos de relacionamento não deve ser algo comum (risos). Parecia um bom rapaz, mas o dedo da Théo foi para a esquerda. É aquele negócio, quando é sincero demais tem que se desconfiar também.

Chegando nas conversas antigas, elas já não estavam mais lá. Nenhuma. Depois que Théo saiu e voltou ao aplicativo, todas as conversas sumiram, todas!! E agora, como encontrar Miguel? A partir daí, Théo foi a loucura a procura do bonito. Passou o dedo para a esquerda desesperadamente tentando reencontrá-lo. Tão desesperadamente que o aplicativo pensou que ela fosse um robô e solicitou uma selfie para confirmar sua identidade.

Lascou! A conta ficou em análise por um dia. Em foi banida, não se conseguia mais entrar ali. E o Miguel sumiu para sempre ou não? Théo teve a brilhante ideia de criar uma conta em um outro aplicativo, semelhante ao primeiro, mas lá quem dá o primeiro passo depois do match é a mulher. A conversa só começa se ela quiser. E começou tudo outra vez. Algumas carinhas conhecidas que apareciam no aplicativo anterior. Era divertido, muito divertido ler as biografias dos perfis.

Enquanto ela não encontrava o Miguel, porque não conhecer outras pessoas? Entre as idas e vindas dos dedinhos um match chamou a atenção da Théo. Nuno. Médico, 2 filhos, um cão. Morava perto dela e era um pai solteiro. Ele tinha o cabelo jogadinho para o lado. Barba serrada e parecia inteligente. Apesar de ter o estilo dela, a conversa foi pouca, ele nem deu moral pra ela. Médicos...

Nyló era músico. Tocava Violoncelo na Áustria. Só falava inglês e a Théo coitada, sofreu no google tradutor. Ele dizia não usar redes sociais, nem whatsapp: “I even don’t use smartphone, i use just laptop, I have no facebook, just Telegram on the laptop. I have phone – Nokia”. Ela claro, correu dele. Isso é problema e dos grandes. Alguém que não tem redes sociais hoje em dia tem algo pra esconder. É fato!

Dali em diante as perguntas continuavam as mesmas, as conversas sem graça, ninguém tão interessante como o Miguel apareceu, nem muito menos ele. Talvez porque ele não era o cara da foto e se passava pelo cara simpático da foto. Talvez por isso nunca mandou uma mensagem no whatsapp e sumiu do aplicativo. Deve ter mudado o nome ou colocado sua foto real.

Era fim de expediente de uma sexta-feira e Theodora desistiu mais uma vez de encontrar o amor por trás das telas. Ela resolveu comemorar o tempo perdido com alguns bons drinks e muitas risadas ao lado da melhor amiga, a Paula. Na mesa ao lado, um olhar bem forte e marcante fez com que estremeceu Théo. Era Miguel, bem ali do lado dela, em carne e osso. Ele a reconheceu e levantou o seu drink em direção a ela mencionando um brinde. Théo devolveu a menção com os olhos fitando os dele. Seus olhos brilhavam e os seus lábios tremiam. A música era bem calma e no fim das contas ela percebeu que o mundo real é bem mais gostoso, divertido que o virtual. Cheers!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Em busca do amor perfeito (Parte 1)

 Só mais um sábado ensolarado e frio, mas não para Theodora, que depois de uma noite agitada no bar de sempre (aquele da praia perto de sua casa, com a vista linda), com as amigas a beber, acordou decidida a abrir uma conta em um aplicativo de relacionamentos pra ver se a vida amorosa decola, depois da terrível história que vocês já conhecem bem.

A primeira vez que Theodora entrou em um aplicativo foi nas suas férias para Portugal. Ficou um dia e não aguentou ler as mesmas perguntas inúmeras vezes: “O que faz em Portugal?”, “Trabalha com o que?”, “Por que Portugal?”. Os questionamentos soavam um pouco preconceituosos, vocês devem saber que, infelizmente, a mulher brasileira é muito descriminada por lá. Mais uma vez, as mulheres, no geral, se ferram por algo que umas e outras fizeram que não é legal. 

Na verdade, isso também, de alguma maneira, é preconceito, pois se umas e outras fizeram qualquer coisa que não agradou a sociedade portuguesa, elas fizeram porque queriam e sabiam o que estavam fazendo. Então, quem é a Theodora ou qualquer outra pessoa para julgar o que alguém fez e que não é absolutamente da sua conta?  

Lá seguiu a bonita, dondoca nos deslizes para a esquerda e direita da tela do seu celular. Os deslizes para a direita significavam um gosto pelo cara do outro lado da tela. Já para a esquerda representavam que não tinham nada do que ela gostava. Pra encantar a Theodora não é muito difícil, ou talvez seja. Vocês é que vão dizer. Uma barba serrada, um cabelinho um pouco maior do que o conceitual e jogadinho de lado já a deixam pensativa. Ganha mais um ponto o homem que tem os dentes bonitos, para os que têm dentes feios o dedo dela já desliza para a esquerda imediatamente. Nada de match (esse é o nome dado para quando os gostos dela e do bonito do outro lado da tela se cruzam). Coisa da Geração Millennials (pessoas que nasceram entre 1980 e 1995).

As biografias eram o que mais intrigava a Theodora. Alguns diziam que só queriam ser felizes, que queriam coisas momentâneas. Outros que procuravam o par perfeito, para dividir a vida e até os filhos que já tinham, coisa que Theo não se importava de jeito nenhum, não é segredo que ela é apaixonada por crianças! Tinha também os desesperados que diziam ter todos os dentes (em Portugal é assustador o número de pessoas sem dentes), que os banhos eram frequentes, existe também essa cultura de que o Português não é muito adepto ao banho, mas é algo que não condiz com a realidade e, acredite, algumas pessoas ainda brincam com isso.

Tinham alguns perfis de casais à procura de parceiras para apimentarem a relação e outros perfis de homens casados à procura de uma mulher que fizesse o que a sua esposa não fazia. “Esse mundo está mesmo perdido, as pessoas perderam a noção do valor e da família”, esbaforava Théo, em frente ao celular.

O primeiro Match veio. Era o João. Um português de 1. 72 de altura – assim ele dizia na sua biografia/bio. Ele gostava de cachorros, tinha um labrador com o nome de Mike. Tinha uma conversa agradável, mas morava muito longe de Théo e relacionamentos à distância não fazia a cabeça da querida Theodora. Viraram amigos virtuais e se segue no instaram até hoje. Cada passeio que o João faz com o Mike é uma foto nova para o instagram. Cachorros chamam mesmo a atenção, não tem jeito.

No meio desses amores de aplicativo, existem muitos perfis fakes. O que tem pra todo lado dentro da internet, mas um foi além do imaginável e colocou uma foto do Edu Guedes – um apresentador brasileiro super simpático. Por curiosidade, Théo deslizou o dedo para a direita pra ver até onde o “Edu” iria e, pasmem, ele tentou ser o cara perfeito -provavelmente aos olhos dele. Disse que morava nas Bahamas. Trabalhava para um banco e adorava vier na praia (a localização dele, mostrada por quilômetros, não dava nas Bahamas), mas que na semana seguinte estaria em Portugal pois tinha recebido uma proposta de um banco português.

Theodora entrou na brincadeira e fingiu acreditar. Disse a ele que era hora de ganhar muito mais em Portugal, lembrando que o salário do país de Dom Pedro I é o menor da Europa e que toda gente sabe disso, só o Edu que não deve saber. Ele ainda disse ter dois filhos gêmeos que viviam com a mãe em Bruxelas. E que durante a estadia em Portugal se hospedaria em um hotel da Avenida Liberdade – onde estão localizados os hotéis e restaurantes mais caros de Lisboa. Era tanto blá, blá, blá que a pequena Théo cansou e denunciou a conta que tinha o símbolo de verificada. Não se sabe como ele conseguiu provar que a foto do Edu Guedes era dele, mas... viva as brechas do mundo virtual.

A bio da Theodora dizia em “alto e bom tom”: me assusto com pessoas com dentes mal cuidados ou sem eles. A partir daí, Théo colecionou alguns novos amigos virtuais e boas risadas. Todos eles diziam ter dentes. No meio dos novos amigos, surgiu o Miguel, 47 anos, 1,83 de altura. Muito discreto e de uma conversa ímpar. Parecia um homem íntegro, à procura do mesmo que Théo. Alguém inteligente, sincero e simpático.


*Os nomes foram trocadas e as histórias nem sempre são reais

quinta-feira, 10 de março de 2022

O amanhã é um novo dia!

Vendo o relato recente da Juliette (Ex-BBB), veio a minha mente tudo que vivi no início de 2020. Eu tinha acabado de voltar das minhas férias em Portugal, estava felizona e com mil planos na cabeça. Era segunda-feira. Fui acompanhar minha mãe em um exame de rotina com seu neurologista. Há um tempinho descobrimos que minha mãe tem um meningioma cerebral (tumor benigno) e dois aneurismas. Na época, ela realizou um procedimento chamado “embolização” para conter o avanço de um dos aneurismas, que era o mais preocupante. Correu tudo bem, e agora apenas fazemos acompanhamentos anuais para ambas situações.

Um dos principais motivos do desenvolvimento do aneurisma é a genética, ou seja, uma tendência hereditária (de mãe para filho e assim por diante). O neurologista da minha mãe nos alertou que a doença pode afetar até a quinta geração da nossa família a partir da minha mãe, por isso, é muito importante que todos nós façamos o exame de angioressonância. É nele que as veias do seu cérebro são observadas e avaliadas.

Enquanto eu acompanhava minha mãe no seu retorno anual, Dr. Francisco me pediu, mais uma vez, que fizesse a angioressonância (sim, ele já tinha me pedido mil vezes, desde o dia que descobrimos o problema da minha mãe). Eu sempre relutava em fazer, pois morria de medo de descobrir ter aneurisma.

Nesse dia, nada me impedia de fazer. Contei meus planos de estudar fora e ele disse que eu realmente precisava fazer para ir tranquila. Saí da sala dele e já consegui uma vaga para o exame. Tiveram que aplicar contraste na minha veia, o que significa que tinham que avaliar melhor algo ali. Travei dentro daquela máquina. Pensei, pronto, vou morrer. E meus planos, sonhos? Socorro, Deus!

No dia de levar o resultado, nenhuma surpresa. Tinha algo ali e ele disse que tudo indicava ser um aneurisma, mas que precisava de um exame mais específico: uma angioplastia (cateterismo). Aí pronto!! Pensei que era meu fim! Já nem pensava mais nos meus planos e nem queria sonhar mais. Marquei o exame para 28 de fevereiro de 2020. Fiquei um mês tensa e prometi só pensar nos meus planos depois do resultado. Na verdade, foi o mês que mais demorou a passar no ano. Pai santo!! 

Chegou o dia do procedimento. Fiz com o Dr. Elias Rabahi e sua equipe. Graças a Deus eu sempre estive em boas mãos. Os médicos disseram que o procedimento não poderia ter anestesia, que eu ia ver tudo, ficaria acordada. Logo eu, Maria Ansiedade?!!! Não ia conseguir nunca ver um cateter entrando pela minha perna e chegando até  meu cérebro. Só de escrever aqui e relembrar já dá uma moleza (risos). Chorei, falei que não ia conseguir e eles resolveram me sedar.

Me despedi da minha mãe e pensei: adeus mundo! Sou meio dramática assim mesmo, foi assim na minha rinoplastia e em uma outra cirurgia que fiz. Ao fim do procedimento, sobrevivi, acordei com a minha mãe do meu lado. Eu chorava e não falava nada com nada por conta do sedativo. Fiquei bem grogue! Recebi uma ligação que acalmou meu coração e que me dava a certeza que tudo ia ficar bem. Eu tinha planos e eles não podiam acabar ali.

Dr. Elias apareceu no corredor enquanto eu me recuperava da anestesia e me deu a melhor notícia que eu poderia ter naquele ano. “Fique tranquila, não é um aneurisma, é apenas uma formação diferente da sua veia. Pode viver tranquila e sem medos”, disse ele, segurando a minha mão. Eu chorei, mas foi de alegria e de alívio. Dr. Francisco, quando viu o resultado da angioplastia, disse o mesmo, mas pediu que eu refizesse o exame a cada cinco anos. É um cuidado a mais para evitar o pior.

Voltei a sonhar, planejar meu futuro e a realizar tudo que tenho buscado. A vida é um sopro e amanhã podemos não estar aqui. Tudo isso que passei me fez valorizar ainda mais as oportunidades, os pequenos momentos, as pessoas e os sorrisos.  Resolvi escrever aqui pra guardar esse tempo e nunca esquecer que “amanhã é outro dia”.



terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

1x0


Os dias têm sido mais escuros que o normal para Theo. Quando se perde um amor, mesmo com sol tudo fica cinza, sem cor e sem amor, mas Theodora segue firme sem titubear. Coração quebrado, pernas bambas, sem saber por onde recomeçar, mas ela tem uma força que nem ela sabe quem tem.

Que o brilho dela e seu sorriso ensurdecedor atinjam pessoas de verdade, de caráter e que tem coragem de viver aquilo que quer e sonha. Theodora é corajosa, é alegria é amor. Hoje ela é dor, de uns dias pra cá ela é decepção, mas tudo passa querida Theodora. Tudo passa!

Amar é se entregar, é confiar, é torcer um pelo outro, é querer sempre o bem, é estar junto e é, acima de tudo, ser fiel. Theodora perdeu mais um jogo da vida. Dessa vez o que ela mais gostou de jogar. Seu sorriso era largo, forte, era amor pra todo lado, mas não se vence nenhum jogo jogando sozinha. 

No meio do campo, com um oceano de distância, Theodora se viu só e o outro jogador abandonou o time por outro mais perto que deve ter também inúmeras qualidades das quais Theodora não quer saber.

Foram muitas entregas jogadas ao vento, eu te amo levados pelas águas do mar e um amor perdido que não dá pra acreditar que era de verdade.

Tudo se vai um dia. Toda perda é muito difícil, principalmente quando acontece rápido assim. Não era pra ser Theo, você merece muito mais.

Você é ouro, é sagaz, é paz, porto seguro de quem te tem por perto, é família, é amor, é amiga, guerreira e corajosa.

Você também merece alguém que dance descalço contigo, que converse, que ame a sua cachorra e que tire milhões de fotos sua sem reclamar. Merece alguém que lhe convide para viajar, pra ir num parque qualquer, comer um prego ou beber um drink. Você merece e sabe disso!

O amor sempre vence Theodora. 

Se não venceu, é pq não era amor e nem era seu!