quinta-feira, 18 de junho de 2026

Paris, a cidade luz ou a cidade do amor?

FEVEREIRO DE 2023

O que era para ser uma simples ida a Paris, por incrível que pareça, virou uma viagem digna dos filmes preferidos da Theodora — que vocês já sabem quais são, não é? Os de comédia romântica.

A Théo sempre foi incrível em fazer boas amizades. Em todo lugar por onde passou neste mundo, sempre foi muito querida.

Morando fora do Brasil, não foi diferente. Nos seus primeiros dias de pós-graduação na Universidade Católica de Lisboa, conheceu aquela que viria a ser sua amiga inseparável em Portugal. Era ela quem a ouvia e dona dos melhores conselhos do mundo inteiro: a Pati. Patrícia, para vocês que não tiveram a oportunidade de conhecê-la.

A Pati era casada. Na verdade, ainda é. Graças a Deus, muito bem casada com o Antônio. E hoje já é avó de duas princesas. Ah, como esse mundo gira rápido! Incrível isso.

Pati tem um apartamento em Paris, de frente para a famosa Torre Eiffel, e sempre convidava a Théo para passar alguns dias com ela por lá. Completamente apaixonada pela Cidade Luz, Théo nunca conseguia dizer não à amiga. E nem era boba o suficiente para isso.

A viagem estava marcada para logo depois do Valentine's Day, comemorado na Europa e em diversos outros países no dia 14 de fevereiro.

E a danada da Théo, sem imaginar o que o destino lhe reservava, foi dançar um fim de semana antes da viagem em uma discoteca bastante conhecida dentro do Casino Estoril. Famosa por ser no cassino, porque vamos combinar, querida Theodora: ali a fama era de reunir pessoas muito acima da sua faixa etária, ao som de músicas que também não combinavam exatamente com a sua idade.

Mas o destino — ou o "Deustino" — é mesmo impressionante, minha gente.

Théo estava acompanhada da tia e de duas amigas portuguesas, muito queridas por sinal. Um pouco envergonhadas, ficaram próximas ao bar, dançando de longe, sem coragem de encarar a pista de dança.

E ali, bem ao lado delas, dois amigos observavam a pista da mesma forma, sem coragem de enfrentá-la.

Eram Pedro e Thomás.

Eles trabalhavam juntos em uma grande empresa de carros de luxo em Cascais onde Théo vivia. Pedro era brasileiro e tinha uma empresa de blindagem de veículos. Thomás era português e engenheiro mecânico.

Naquela noite, formaram um grupo improvável. Depois de muita conversa e troca de telefones a noite acabou e a história começou de verdade.

Thomás e Théo. Olha que os dois nomes começam com a mesma letra. Seria um sinal?

Marcaram um jantar para o Dia dos Namorados. Théo tinha aula antes e só podia naquele dia. Achei uma ótima estratégia da parte dela, porque assim poderia descobrir se ele realmente estava desimpedido. Afinal, hoje em dia não dá para confiar tão facilmente, não é mesmo?

E o restaurante escolhido? Adivinhem só.

O preferido da Théo, sem que ela jamais tivesse comentado isso com ele.

Uma conexão de outras vidas, será?

"Acho difícil você conseguir uma reserva para jantar hoje."

"Fique tranquila, minha querida Théo. O dono é cliente da empresa onde trabalho e já fez nossa reserva."

Uau.

Quando Théo me contou isso, pensei imediatamente: ela encontrou o que tanto procura.

Ah! E tem um detalhe importante sobre o Thomás. Ou melhor, alguns!

Ele não bebe, não come carne, toma apenas leite de soja e tem mais algumas particularidades que já não me lembro. Théodora me contou tudo isso há muito tempo, e só agora consegui colocar no papel.

Depois desse jantar veio outro.

No dia seguinte, em um restaurante bastante famoso em Portugal. Dessa vez, a escolha foi da Théo e a reserva também. É que ela receberia um amigo de infância que estava voltando de uma viagem de esqui pela França e faria uma passagem rapidíssima por Portugal.

Foi uma noite incrível. Thomás até bebeu uma taça de cerveja que lhe ofereceram.

No dia seguinte, Theodora viajou para Paris e, pasmem: mesmo depois de três encontros, ela e Thomás ainda não haviam se beijado.

Ele era realmente um gentleman, diferente de tudo o que ela já tinha conhecido. Eu fiquei chocada quando ela me contou.

Os olhos da Théo sempre brilham quando ela volta a Paris. Na primeira vez em que esteve lá, prometeu a si mesma que um dia retornaria com o grande amor da sua vida.

Mas nem tudo aconteceu como ela imaginava.

Ela já havia visitado a cidade com um antigo namorado, aquele que acreditava ser o amor da sua vida. Mas, no fim das contas, surpresa: não era nada disso.

Enquanto ela estava em Paris, ela e Thomás trocavam mensagens o dia inteiro. E uma delas mexeu especialmente com seu coração.

"Olha que eu vou a Paris ter contigo."

E ele foi mesmo.

No dia seguinte, já estava tudo organizado: flat reservado, voo comprado e restaurantes escolhidos.

"Meu Deus, parece um sonho."

Era isso que Théo repetia para si mesma enquanto aguardava a chegada de Thomás à Cidade Luz.

Ela tinha o sonho de conhecer um restaurante muito famoso que possuía uma discoteca logo abaixo. Havia feito a reserva para ir sozinha, mas acabou vivendo uma das melhores noites da sua vida muito bem acompanhada.

Thomás falava inglês fluentemente e sempre conduzia os pedidos, as localizações e até as conversas com novos amigos que encontravam pelo caminho.

A primeira foto juntos foi tirada em frente ao Arco do Triunfo, numa sexta-feira à noite.

Fazia muito frio e Thomás não havia levado um casaco adequado para as baixas temperaturas. Então passaram boa parte do tempo abraçados, tentando se aquecer.

Dormiram juntos.

Depois visitaram o Louvre para ver a Mona Lisa, comeram macarons na Ladurée, subiram à Torre Eiffel — era a primeira vez de Thomás na cidade.

E, ao final de cada dia, sentavam-se em frente à torre para admirar a vista, ouvir "Another Love" sendo tocada no teclado por um músico francês e ajudar casais que tentavam tirar a foto perfeita diante do principal cartão-postal da cidade, mas só conseguiam fazer selfies.

Era divertido.

Foram dias incríveis.

Ah! Antes que eu me esqueça... vocês devem estar se perguntando quando aconteceu o primeiro beijo desse casal, não é?

Thomás imaginava que esse momento aconteceria em frente à Torre Eiffel.

Mas a Théo estava tão encantada, tão apaixonada e tão impressionada com tudo aquilo que resolveu tomar a iniciativa.

Deu um beijo nele no elevador do prédio da Pati.

Naquela noite, Pati havia preparado um jantar especial para receber Thomás, além de um casal de amigos dela e do Antônio.

Agora me digam: conseguiram entender por que uma simples viagem a Paris acabou se transformando em um verdadeiro filme de comédia romântica?

Thomás passou aquele fim de semana com Théo em Paris.

Ela ainda permaneceu por lá alguns dias, como já estava combinado desde o início com a amiga.

Uma surpresa linda que o destino resolveu escrever.

E uma história que tenho certeza de que a Théo jamais vai esquecer.




Será mesmo que amanhã é um novo dia?

Entre tantas coisas novas na vida da nossa querida e amada Theodora a principal foi sua volta para o Brasil! Depois de um tempo fora, duas pós-graduação, muitas viagens, amores perdidos, amizades novas ela resolveu voltar.

Ela ganhou um sobrinho perfeitinho enquanto estava morando fora e essa parte mexeu muito com o coraçãozinho da nossa Théo. O que ela mais queria era vê-lo crescer bem de pertinho. Recebeu uma proposta de trabalho do seu primo, vendeu seu carro, arrumou suas malas e foi se embora de Portugal para o Brasil. Literalmente de mala e cuia.

Nos primeiros meses foi tudo à base de muita terapia. Muita mesmo! Voltar ao lugar que você reconhecia como seu e que de repente não o reconhece mais como seu, é um misto de sentimentos muito difícil administrar. 

Casa cheia! Ela voltou para a casa da mãe, seu cantinho no mundo. Onde ela tinha amor, acolhimento e muita atenção. Onde ela sabia que poderia viver o tempo que pudesse pelo mundo, mas quando quisesse voltar, o seu lugar estava sempre ali guardadinho e quentinho de afeto.

Mas Théo tinha um sonho de ter o seu cantinho, receber seus amigos e viver sua solitude. Sempre muito ousada à frente de seu tempo, ela alugou um apartamento e pra lá se mudou. Começou do zero e comprou tudo devagarinho. A vida dela ia se ajeitando de cena em cena. Exatamente como em um filme de comédia romântica. Os preferidos dela.

Mas se toda comédia romântica tem um grande amor, no filme da vida da Théo, ainda faltava esse personagem. Na verdade ainda falta! Theodora ainda não teve a sorte de um amor tranquilo como já dizia nosso saudoso Cazuza. Acho que o problema dela está em buscar "algo" e apaixonar-se por pessoas que não tem aquele "algo buscado" para te oferecer. Ai meu amor, não tem reza que vale, nem terapia que suporte a explosão de sentimentos inconscientes, vulneráveis e fracassados.  

Se amanhã é um novo dia ou não, nem mesmo a Théo sabe. Mas ai já é uma outra história que prometo  contar em detalhes!


Beijos queridos leitores, no total de zero. rs


segunda-feira, 22 de maio de 2023

Entre crônicas e bibliografias

 Alô, Alô aqui quem fala é a Eme!

Estou aqui tentando escrever meus textos para os trabalhos finais da minha última pós-graduação. Eu disse: ÚLTIMA! Eu ouvi um amém? risos

Claro que vou aproveitar que as aventuras da vida amorosa da Theodora estão mais parada do que água de represa para escrever meus trabalhos finais da pós. 

É por isso que ela sumiu um pouco daqui. Não tem nada pra contar coitadinha, nenhuma novidade sequer. Tá numa bad! Perdeu um amor e eu bem que avisei: Ninguém fala te amo assim tão rápido. Duvide sempre quando isso acontecer. E ela nem me deu ouvidos.

AH! ela também pegou conversa dele com a ex-namorada no computador. Ela me pediu pra não contar isso pra ninguém, mas pronto - falei.

Deixa ela lá no mundinho dela pensando na vida. Enquanto isso eu vou escrevendo meus textos, atualizando meu trabalho (porque ela com sua vida maluca, não me deixa trabalhar direito) e vivendo como tem que ser, viajando, passeando e trabalhando.

O verão está chegando e acho que vai ter muito texto legal da Théo. Ela vai viajar e vai ter uma baita história para contar. Já que ela deu um tempo na vida sentimental, a vida aventureira ela resolveu colocar pra jogo. Vem muita viagem e muita coisa boa por aí!

Enquanto isso, sigo eu, Eme, com meus textos sem saber o que escrever. São duas crônicas de 5 páginas cada! SOCORRO! Além disso tem também um texto bibliográfico. Tô na dúvida se faço uma biografia da Théo ou minha mesmo. 

Os dias por aqui estão meio sem graça. Não sei se é porque eu tenho muito trabalho ou se é porque os dias estão chuvosos. Morar perto do mar é vida, mas com chuva dá uma tristezinha danada!

Bom, já são 22h12 e o Mirtazapina já está começando a fazer efeito. Sigo sem conseguir começar os 3 textos que tenho pra entregar, mas foi bom vir aqui falar/escrever sozinha, sempre é!


Beijos de Luz pra quem é de Luz!

segunda-feira, 8 de maio de 2023

É preciso deixar ir

 Eu acredito que nada nessa vida acontece por acaso e no meio do caos da Theodora, uma viagem de última hora surgiu. Foi ela mesmo que inventou a viagem, ela sempre tem esses repentes e acha sempre que as feridas se curam quando ela está perto da família.

Não é bem assim que as coisas funcionam, mas ela é teimosa que só, lá se foi para o Brasil com uma bagagem de mão, muita saudade da família e um coração partido. De todos os lugares que ela ama no mundo, o Brasil é, sem dúvida nenhuma, seu canto, sua paz, seu respirar. É la que ela tem colo, que ela tem amor de verdade, cuidado e proteção.

É bom colecionar momentos felizes ao lado de quem se ama. O verde da grama cheia de flores brancas derrubadas com a chuva fina que caia quando ela chegou se uniram aos sorrisos e abraços de seus pais e fizeram com que tudo que a abatia desaparecesse. Sorrisos e abraços são sempre muito poderosos, principalmente quando são verdadeiros e cheios de amor.

Os dias eram alegres.  A cadela da Théo não saia de perto dela e a cada olhadela Magie recebia um abraço apertado que seus olhos que já eram esbugalhados por conta da sua raça, quase saltavam fora do rosto.

Théo não quis saber de comer carne de frango enquanto estava no Brasil. Essa foi uma das exigências feitas à sua maravilhosa mãe. É que Théo não é muito boa na cozinha e frango é a carne mais fácil e rápida de se preparar e é o que ela sempre faz quando está em sua casa cozinhando para ela mesma. Sempre com um tempero, uma maionese e 15 minutos na Air Fryer ela resolvia seu almoço.

As refeições eram sempre com todos à mesa. Casa cheia, alegria, felicidade e muito amor. Os laches e os cafés da manhã (pequenos alomoços) eram recheados de bolos de trigo com coberturas especiais, cafés, pães de queijos, sucos (sumos) e coca-colas - uma das paixões de Théo. Cada dia tinha um bolo diferente. Muito mimo para a pequena grande Théodora.

A casa estava sempre cheia de amigos, familiares e o coração da Théo também. Nem tinha espaço para falta de amor! Graças a Deus né?

Théo aproveitou o seu plano de saúde para fazer alguns exames de rotina que já estavam marcados antes do seu embarque para o Brasil. Sempre centrada, abril é o mês rotineiro para esses exames. Tudo certo, se não fosse uma imagem nova no seu transvaginal e ela se perguntando que diabos era aquilo.

 "Um pólipo, você precisa tirar isso do seu útero antes de ir embora".

 "O que é isso? Eu tenho uma semana aqui doutor, não posso ir embora com isso aí?"

"É preciso fazer uma biópsia, na maioria dos casos esses tumores são benignos, mas eles também podem não ser e não podem ficar ai."

"Eu posso ser mãe?"

"Com ele ai, NÃO".

Théo saiu do consultório sem saber o que fazer e pra onde ir. Atravessou a rua e tentou marcar um exame para a biópsia, Meu Deus, biópsia! Ela já sentia uma dor no peito só de mencionar essa palavra e existir a possibilidade de algo mal.

Não tinha vaga para o exame nem tão logo. Mesmo assim conseguiu para três dias depois um encaixe. O médico a atenderia na hora que desse certo. Na saída da clínica, do outro lado da rua, um carro branco parado, e uma mulher gritava seu nome. Era sua tia, que no meio de uma cidade com um milhão e meio de habitantes estava na hora certa e no lugar certo.

Théo já logo contou e dali partiram para um almoço sem nada combinado por elas, mas tudo planejado por Deus. Uma amiga que já ia almoçar com a tia de Théo, era grande amiga do dono da clínica que a Théo conseguiu um encaixe tardio para seu exame. Com uma ligação dela, a data do exame foi alterada para o dia seguinte como emergência. 

Dali Théo seguiu para uma tarde inteira de trabalho com o cliente que ela tinha no Brasil. Um médico cirurgião plástico. Ela já não conseguia pensar em que conteúdo criariam juntos ali, ela, ele e toda a sua equipe. Na cabeça dela a todo momento aparecia a palavra BIÓPSIA!

No final deu certo, fizeram os conteúdos e as fotos. Théo trabalhava com Marketing Digital. Já era noite quando ela chegou em casa, sua mãe a esperava no portão com um abraço que amparava suas lágrimas de medo, susto e incertezas. Um abraça que a trazia paz e conforto!

No dia seguinte, há exatamente 7 dias do seu voo de volta e de um trabalho marcado em Portugal que não se dava para adiar - Théo faria cobertura de um congresso de cirurgia plástica em Lisboa - o exame foi feito e o médico a tranquilizou sobre a procedência do pólipo. É benigno, mas vamos fazer a biópsia de qualquer forma para confirmar. fique tranquila. A cirurgia é de emergência, vamos fazer daqui a dois dias.

"Dois dias?  Meu Deus! Tenho dois dias para fazer os exames e o risco cirúrgico!"

Foi uma correria, uma loucura, mas ela conseguiu. Essa mulher é danada e Deus cuidou de tudo. Desde o começo foi Ele que a levou ao Brasil porque ele sabia que ela precisava cuidar disso o quanto antes; Deus dos detalhes, cuida de tudo. Até da colega de apartamento no hospital Deus cuidou.

Théo não podia ter acompanhante por ter mais de 30 anos, então subiu sozinha para a ala de internação. Quando chegou no seu apartamento, tinha uma moça linda, com infecção renal acompanhada da sua mãe. Duas queridas e lindas que fizeram as 24 horas da Theodora ali serem as mais confortáveis possíveis, mas ir para o centro cirúrgico deitada naquela maca parecia que ela estava andando no leito de morte. A sensação era a pior possível. Théo foi forte, a cirurgia correu bem e o médico voltou a falar em benignidade.

O tempo no hospital passou voando e de volta a casa, Théo foi ainda mais mimada e recebeu visitas e muito amor também. Voltou a conseguir dormir e a comer. Mais uma biópsia foi feita, dessa vez, de todo o pólipo que foi tirado do útero. Era muita confirmação para a cabeça da pequena Théo que a essas horas já estava dando voltas. Imagina ir de férias, curar um coração e do nada ter que fazer uma cirurgia de emergência por conta de um pólipo no útero. Foi eita atrás de eita.

Recuperação excelente e a vida seguindo normalmente. Théo não parou de trabalhar enquanto estava no Brasil. Com os horários diferentes dos clientes de Portugal e Alemanha, muitas vezes ela acordava no meio da madrugada para reuniões e planejamento com os clientes.

Cinco dias grudados na família e com idas e vindas ao hospital. É chegada a hora de voltar pra casa. A alta médica veio, tudo certo com o útero. Forninho pronto segundo o médico - termo usado para dizer que ali já pode receber um bebê. Théo logo pensou: "Agora falta o arranjar um pai que preste". risos

O voo de volta foi tranquilo e a chegada também. Uma recepção boa que a Théo sentia saudades. Apensar dos pesares, é bom saber que em algum momento alguém te espera no desembarque. Ela lembrou do abraço caloroso da última despedida e de repente aquele esperar ali já não fazia mais tanto sentindo como fez um dia, mas foi importante. 





domingo, 9 de abril de 2023

Os filmes que nunca foram vistos

O tempo era bom, os sorrisos eram singelos e distribuídos na medida que cada um precisava. 

Massa com molho de soja e camarão, acho que foi esse o primeiro menu. O sofá era o melhor lugar da casa, aconchegante e cheio de almofadas fofinhas. Ah, e tinha também um cobertor bem quentinho cinco estrelas. Era ali que os dois viajavam e despejavam um sobre o outro os desejos e sonhos do coração. A sintonia era incrível e quase todos os sonhos eram incomuns. O coração de Théo ficava quentinho de tanto amor.





EM CONSTRUÇÃO...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Em busca do amor perfeito (Parte 2)

Na foto do perfil ele usava uma camisa branca por baixo e um suéter preto. Estava em uma mesa de restaurante que tinha uma boa aparência. Miguel era educado e a conversa também era sempre maravilhosa. Dizia gostar de arte, de almoços com os pais e compras com os primos. Era canceriano. Fazia aniversário um dia antes que a Théo.

A conversa fluía como águas correntes. Falavam sobre perfumes - tinham os mesmos gostos e gostavam dos mesmos países. Ele dizia falar 5 línguas, enquanto Théo apenas o Português e “malé mal”. Alguns restaurantes em comum e um dilema - ele não gostava muito de dançar, mas mesmo assim plim plim, os olhinhos dela piscavam forte a cada mensagem recebida durante seus dias de amor virtual.

Miguel parecia perfeito, mas dizia não usar o whatsapp. Hoje em dia quem é que não fala no whatsapp? Para ele era importante preservar sua descrição, diante disso, convidou Théo para um café. Imediatamente veio um estalo à sua mente e ela se lembrou do “Edu Guedes” – o fake das Bahamas -  e disse em pensamento: “E se ele não for o cara da foto? E na verdade, for calvo, bem mais velho de que 47 anos com cara de avô?”

Já imagino a cena na minha cabeça: Théo, toda elegante, de botas pretas altas até o joelho, meias calças/colant preto, uma bermuda preta e uma blusa de linha azul – aquelas bem quentinhas e elegantes, por baixo de um casaco preto que vai até o joelho também, chegando no café vazio com uma única mesa ocupada. Nela, um senhor de óculos espelhados – isso é apavorantemente brega, sem cabelos na cabeça, com os olhos fixados na tela do celular enquanto tomava seu “abatanado” (um tipo de café cheio e mais fraco). Ela entrava, olhava para todos os lados, avistava o único senhor no recinto e saia disfarçadamente desesperada como se tivesse errado de endereço. Risos

Depois do convite para o café, Théo imediatamente mudou de assunto. Ela não estava preparada para um encontro com qualquer pessoa que fosse. A ideia era encontrar alguém no aplicativo, mas ela não pensou na fase de que teria que se encontrar com essas pessoas para conhecer o tão esperado match perfeito.

Theodora insistiu no app de mensagens instantâneas mais usado no mundo. Jogou o seu número na conversa com Miguel e saiu do aplicativo de relacionamentos na esperança que ele falasse com ela no Whatsapp. Afinal, ela precisava saber se ele era de verdade.

Se passaram dois dias e nada do bonito aparecer. Théo resolveu voltar para o aplicativo pra ver tinha alguma mensagem. Enquanto isso, o App continuava a ofertar novos perfis. As fotos iam de um extremo ao outro de impacto. Alguns homens posavam dentro de carros com símbolos fortes no volante, alguns sem roupa, em praias, com cachorros, em festas com a bio “Carpe Diem”, outros não mostravam rostos. Milhares na academia que em Portugal chamam de Ginásio.

Tinha esses e tinha o Joaquim que descrevia na sua bio que era um gajo simples, divertido, gordinho, amigo do seu amigo e “acima de tudo solteiro e bom rapaz”. Ser solteiro nesse país e estar nos aplicativos de relacionamento não deve ser algo comum (risos). Parecia um bom rapaz, mas o dedo da Théo foi para a esquerda. É aquele negócio, quando é sincero demais tem que se desconfiar também.

Chegando nas conversas antigas, elas já não estavam mais lá. Nenhuma. Depois que Théo saiu e voltou ao aplicativo, todas as conversas sumiram, todas!! E agora, como encontrar Miguel? A partir daí, Théo foi a loucura a procura do bonito. Passou o dedo para a esquerda desesperadamente tentando reencontrá-lo. Tão desesperadamente que o aplicativo pensou que ela fosse um robô e solicitou uma selfie para confirmar sua identidade.

Lascou! A conta ficou em análise por um dia. Em foi banida, não se conseguia mais entrar ali. E o Miguel sumiu para sempre ou não? Théo teve a brilhante ideia de criar uma conta em um outro aplicativo, semelhante ao primeiro, mas lá quem dá o primeiro passo depois do match é a mulher. A conversa só começa se ela quiser. E começou tudo outra vez. Algumas carinhas conhecidas que apareciam no aplicativo anterior. Era divertido, muito divertido ler as biografias dos perfis.

Enquanto ela não encontrava o Miguel, porque não conhecer outras pessoas? Entre as idas e vindas dos dedinhos um match chamou a atenção da Théo. Nuno. Médico, 2 filhos, um cão. Morava perto dela e era um pai solteiro. Ele tinha o cabelo jogadinho para o lado. Barba serrada e parecia inteligente. Apesar de ter o estilo dela, a conversa foi pouca, ele nem deu moral pra ela. Médicos...

Nyló era músico. Tocava Violoncelo na Áustria. Só falava inglês e a Théo coitada, sofreu no google tradutor. Ele dizia não usar redes sociais, nem whatsapp: “I even don’t use smartphone, i use just laptop, I have no facebook, just Telegram on the laptop. I have phone – Nokia”. Ela claro, correu dele. Isso é problema e dos grandes. Alguém que não tem redes sociais hoje em dia tem algo pra esconder. É fato!

Dali em diante as perguntas continuavam as mesmas, as conversas sem graça, ninguém tão interessante como o Miguel apareceu, nem muito menos ele. Talvez porque ele não era o cara da foto e se passava pelo cara simpático da foto. Talvez por isso nunca mandou uma mensagem no whatsapp e sumiu do aplicativo. Deve ter mudado o nome ou colocado sua foto real.

Era fim de expediente de uma sexta-feira e Theodora desistiu mais uma vez de encontrar o amor por trás das telas. Ela resolveu comemorar o tempo perdido com alguns bons drinks e muitas risadas ao lado da melhor amiga, a Paula. Na mesa ao lado, um olhar bem forte e marcante fez com que estremeceu Théo. Era Miguel, bem ali do lado dela, em carne e osso. Ele a reconheceu e levantou o seu drink em direção a ela mencionando um brinde. Théo devolveu a menção com os olhos fitando os dele. Seus olhos brilhavam e os seus lábios tremiam. A música era bem calma e no fim das contas ela percebeu que o mundo real é bem mais gostoso, divertido que o virtual. Cheers!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Em busca do amor perfeito (Parte 1)

 Só mais um sábado ensolarado e frio, mas não para Theodora, que depois de uma noite agitada no bar de sempre (aquele da praia perto de sua casa, com a vista linda), com as amigas a beber, acordou decidida a abrir uma conta em um aplicativo de relacionamentos pra ver se a vida amorosa decola, depois da terrível história que vocês já conhecem bem.

A primeira vez que Theodora entrou em um aplicativo foi nas suas férias para Portugal. Ficou um dia e não aguentou ler as mesmas perguntas inúmeras vezes: “O que faz em Portugal?”, “Trabalha com o que?”, “Por que Portugal?”. Os questionamentos soavam um pouco preconceituosos, vocês devem saber que, infelizmente, a mulher brasileira é muito descriminada por lá. Mais uma vez, as mulheres, no geral, se ferram por algo que umas e outras fizeram que não é legal. 

Na verdade, isso também, de alguma maneira, é preconceito, pois se umas e outras fizeram qualquer coisa que não agradou a sociedade portuguesa, elas fizeram porque queriam e sabiam o que estavam fazendo. Então, quem é a Theodora ou qualquer outra pessoa para julgar o que alguém fez e que não é absolutamente da sua conta?  

Lá seguiu a bonita, dondoca nos deslizes para a esquerda e direita da tela do seu celular. Os deslizes para a direita significavam um gosto pelo cara do outro lado da tela. Já para a esquerda representavam que não tinham nada do que ela gostava. Pra encantar a Theodora não é muito difícil, ou talvez seja. Vocês é que vão dizer. Uma barba serrada, um cabelinho um pouco maior do que o conceitual e jogadinho de lado já a deixam pensativa. Ganha mais um ponto o homem que tem os dentes bonitos, para os que têm dentes feios o dedo dela já desliza para a esquerda imediatamente. Nada de match (esse é o nome dado para quando os gostos dela e do bonito do outro lado da tela se cruzam). Coisa da Geração Millennials (pessoas que nasceram entre 1980 e 1995).

As biografias eram o que mais intrigava a Theodora. Alguns diziam que só queriam ser felizes, que queriam coisas momentâneas. Outros que procuravam o par perfeito, para dividir a vida e até os filhos que já tinham, coisa que Theo não se importava de jeito nenhum, não é segredo que ela é apaixonada por crianças! Tinha também os desesperados que diziam ter todos os dentes (em Portugal é assustador o número de pessoas sem dentes), que os banhos eram frequentes, existe também essa cultura de que o Português não é muito adepto ao banho, mas é algo que não condiz com a realidade e, acredite, algumas pessoas ainda brincam com isso.

Tinham alguns perfis de casais à procura de parceiras para apimentarem a relação e outros perfis de homens casados à procura de uma mulher que fizesse o que a sua esposa não fazia. “Esse mundo está mesmo perdido, as pessoas perderam a noção do valor e da família”, esbaforava Théo, em frente ao celular.

O primeiro Match veio. Era o João. Um português de 1. 72 de altura – assim ele dizia na sua biografia/bio. Ele gostava de cachorros, tinha um labrador com o nome de Mike. Tinha uma conversa agradável, mas morava muito longe de Théo e relacionamentos à distância não fazia a cabeça da querida Theodora. Viraram amigos virtuais e se segue no instaram até hoje. Cada passeio que o João faz com o Mike é uma foto nova para o instagram. Cachorros chamam mesmo a atenção, não tem jeito.

No meio desses amores de aplicativo, existem muitos perfis fakes. O que tem pra todo lado dentro da internet, mas um foi além do imaginável e colocou uma foto do Edu Guedes – um apresentador brasileiro super simpático. Por curiosidade, Théo deslizou o dedo para a direita pra ver até onde o “Edu” iria e, pasmem, ele tentou ser o cara perfeito -provavelmente aos olhos dele. Disse que morava nas Bahamas. Trabalhava para um banco e adorava vier na praia (a localização dele, mostrada por quilômetros, não dava nas Bahamas), mas que na semana seguinte estaria em Portugal pois tinha recebido uma proposta de um banco português.

Theodora entrou na brincadeira e fingiu acreditar. Disse a ele que era hora de ganhar muito mais em Portugal, lembrando que o salário do país de Dom Pedro I é o menor da Europa e que toda gente sabe disso, só o Edu que não deve saber. Ele ainda disse ter dois filhos gêmeos que viviam com a mãe em Bruxelas. E que durante a estadia em Portugal se hospedaria em um hotel da Avenida Liberdade – onde estão localizados os hotéis e restaurantes mais caros de Lisboa. Era tanto blá, blá, blá que a pequena Théo cansou e denunciou a conta que tinha o símbolo de verificada. Não se sabe como ele conseguiu provar que a foto do Edu Guedes era dele, mas... viva as brechas do mundo virtual.

A bio da Theodora dizia em “alto e bom tom”: me assusto com pessoas com dentes mal cuidados ou sem eles. A partir daí, Théo colecionou alguns novos amigos virtuais e boas risadas. Todos eles diziam ter dentes. No meio dos novos amigos, surgiu o Miguel, 47 anos, 1,83 de altura. Muito discreto e de uma conversa ímpar. Parecia um homem íntegro, à procura do mesmo que Théo. Alguém inteligente, sincero e simpático.


*Os nomes foram trocadas e as histórias nem sempre são reais