Ontem foi aniversário da Théo e hoje tive uma conversa franca com ela sobre a vida e suas particularidades. Sobre aquilo que muitas vezes julgamos essencial, quando, na verdade, talvez não seja tanto assim.
Já sabemos que o que se leva desta vida é a vida que se
leva, mas, no fundo, todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite e com
Theodora não é diferente. Assim como nós todas, ela espera um romance, um
carinho, uma mensagem, uma atenção especial.
E, para ser sincera, nem é só aos sábados. Quase
sempre buscamos alguém para dividir os dias, os momentos e até os silêncios.
Diante disso, sabe o que eu disse à Théo? Que essas coisas
costumam acontecer quando não estamos procurando. Quando a vida está leve,
quando o coração está em paz e quando aprendemos a ser felizes com a própria
companhia. Porque, antes de encontrar alguém que queira ficar, precisamos estar
bem conosco mesmos.
A cabecinha da Theodora é um pouco mais delicada. Tenho a
impressão de que cancerianos gostam de sonhar acordados. De criar expectativas,
imaginar futuros perfeitos e, muitas vezes, esquecer que a vida acontece no
presente. Foi assim em seu último relacionamento. Ela queria construir algo
maior; ele queria apenas viver o momento e, quem sabe, curar algumas feridas
que ainda carregava.
Outra característica marcante da Théo é acreditar que as
pessoas podem mudar por causa do amor e da dedicação que ela entrega. Já perdi
as contas de quantas vezes disse a ela que não funciona assim. Ninguém muda
porque alguém deseja. As mudanças acontecem quando partem da própria pessoa.
É preciso criar expectativas sobre nós mesmos. Escolher a
nós mesmos todos os dias. Construir uma vida que faça sentido por conta própria
e não passar a vida inteira esperando que alguém a complete.
É preciso se amar por inteiro e se sentir segura para que
alguém incrível possa chegar e escolher ficar.
Ultimamente tenho sentido a Théo desacreditada da própria
presença, da própria capacidade. E isso me entristece. Ela é tão incrível, mas
acho que, depois de tantas desilusões, já não consegue enxergar a grande mulher
que é. Aos poucos, vai perdendo a força, a alegria e o entusiasmo que sempre
fizeram parte dela.
Mas nós já conversamos sobre isso. Suas desilusões só
aconteceram porque expectativas de um futuro incrível foram construídas sobre
as pessoas erradas. E mesmo diante de todos os sinais, ela continuava sonhando.
Continuava amando sozinha.
Théo é muito romântica, disso vocês sabem! Acredito que isso
seja resultado da soma de todos os filmes de romance que assiste diariamente.
Talvez ela se veja um pouco em cada personagem e espere viver um daqueles
finais felizes que aparecem nas telas. O problema é que a vida real quase nunca
segue o roteiro dos filmes.
Mas, no fim das contas, o que vale é o próximo passo. Théo
está fazendo terapia. E isso tem sido importante. O desafio é que ainda existe
muita resistência em falar sobre os próprios sentimentos. Abrir as dores,
admitir as fraquezas e encarar algumas verdades exige coragem. Aceitar não ser
escolhida dói. Mas dói muito mais carregar feridas abertas por anos sem
permitir que elas cicatrizem.
Com o tempo, ela também está aprendendo que saudade nem
sempre é sobre algo bonito que se viveu. E que nem toda saudade é sinal de
amor. E também que os momentos bons não apagam os ruins. E, às vezes, os ruins
foram tão intensos que deveriam ser suficientes para nos impedir de olhar para
trás.
Nem tudo o que queremos serve para permanecer. Nem todo amor é para ser vivido para sempre. Insistir em algo que trouxe mais tristeza do que felicidade é se afastar cada vez mais de si mesma. E o caminho de volta pode ser longo. Mas eu tenho certeza de que ela vai conseguir encontrá-lo.
Quero
acreditar que essa fase é apenas o seu período de inferno astral, aquele que antecede o
aniversário, e como a data foi celebrada
ontem, vamos torcer para que ela logo logo volte com novas histórias.