domingo, 28 de junho de 2026

Barba cerrada e pagode

Barba cerrada, estilo "mauricinho", cabelos pretos, sorriso fácil e gostos muito parecidos com os dela. Esse é o tipo de homem que costuma chamar a atenção da querida Theodora. Engraçado perceber que, olhando para os seus últimos relacionamentos, todos seguiam praticamente o mesmo perfil. E, depois que voltou ao Brasil, o primeiro romance também não fugiu à regra.

Na verdade, Leonardo tinha, sim, uma característica que destoava dos antigos pares românticos da Théo: era apaixonado por pagode. E Theodora nunca foi adepta do gênero.

Lembro de uma vez em que Laura, uma amiga jornalista de Théo que estava em Portugal fazendo mestrado, comemorou o aniversário em uma cervejaria famosa de Lisboa. O dia inteiro teve samba e pagode ao vivo. Théo foi por causa da amiga. Não sabia cantar uma música sequer e se sentiu mais perdida que cego em tiroteio. Laura, ao convidá-la, foi categórica:

— Amiga, eu sei que não é a sua praia, mas queria muito que você fosse.

E ela foi. Bebeu uma cerveja incrível, aproveitou o dia ao lado da Laura e das outras amigas e viveu uma experiência diferente. Mas isso não foi suficiente para mudar sua opinião sobre o estilo musical.

Agora adivinhem onde Théo conheceu Léo.

Pasmem.

Num bar com as amigas, assistindo a um show de pagode. Léo era amigo delas. Dali em diante, era pagode, cerveja e mais pagode. E Théo continuava sem saber cantar nenhuma música.

O primeiro date foi em um bar de rock, o que também não era exatamente a praia da Théo. Mas, como a banda tocava muito pop rock, ficou bem mais fácil entrar no clima. E Léo era tão agradável que tudo fluía com uma naturalidade impressionante.

Os encontros passaram a acontecer cada vez mais. O pagode continuava presente em praticamente todos eles. Até o primeiro momento mais íntimo, se é que vocês me entendem, teve como trilha sonora um pagode. Jesus! O puro suco do Brasil!

Uma noite, em especial, ficou guardada no coração da Théo. Era o aniversário dela. Os dois passaram a noite juntos, entre vinho, comida japonesa e uma playlist que, dessa vez, também tinha sertanejo. Mas a música passou a ser o que menos importava. O que tornou aquela noite inesquecível foi a forma como ela se sentiu e foi amada.

Léo tinha um jeito de manter o coração da Théo sempre presente. Não sei explicar exatamente por quê, mas havia algo entre os dois que parecia muito verdadeiro.

Um tempo bom de histórias em que o coração dela estava sempre ali, mas o dele não. Léo como todos nós, já tinha uma história de vida que ainda era muito presente. Ele também gostava de viver amores diferentes, talvez para não se sentir preso a ninguém ou talvez para não viver o que já viveu. Essa parte Théo nunca entendeu muito bem e acredito que nem existe a necessidade de entender. Já falei isso a ela.

Cada pessoa ama de um jeito e deseja uma vida diferente. O difícil não é enxergar isso. O difícil é aceitar que alguém pode gostar de nós e, ainda assim, não querer caminhar na mesma direção.

E, aos poucos, o silêncio passou a durar mais do que as palavras.

Léo não era só companhia de bar ou de música alta. Ele virava presença. Eles gostavam de ficar em casa, no silêncio confortável de quem já não precisa impressionar. No começo, Teodora ainda se encolhia um pouco nos primeiros filmes. Havia uma espécie de cuidado, quase uma timidez em se encostar nele, mas isso foi mudando sem que ela percebesse.

Com o tempo, a cama da casa dele ou o sofá da casa dela viraram os lugares preferidos dos dois. O braço dele passou a ser onde ela automaticamente repousava a cabeça. E aquilo que antes parecia um gesto simples começou a ter outro peso.

Os filmes já não tinham mais a vergonha do início. Tinham pertencimento. Até depois do amor, ficar ali abraçada virou o momento favorito dela, como se, naquele silêncio, ela pudesse sentir o coração dele batendo forte e entender, sem palavras, que estava tudo bem.

Léo era incrível, um super pai, filho, amigo. Era divertido, a conversa era tão boa que os dois ficavam horas deitados conversando antes de adormecerem. E ele sempre deixou muito claro que não queria namorar. E talvez o mais curioso fosse isso: ele nunca confundiu as coisas. O que também não era o que a Théo queria no início. Imagina só, ela recém chegada ao Brasil, tinha ainda aquela história de Rio de Janeiro-Lisboa que martelava sua cabeça e coração diariamente, que ali ela resolveu viver o que o destino estava te apresentando naquele momento.

Mas, como uma boa canceriana, demorou pouco para a Théo transformar migalhas em banquete. Quando a gente sente falta de um amor inteiro, qualquer pedaço parece suficiente. Ela já não conseguia sair daquele relacionamento, mesmo querendo algo a mais e ele não. Mesmo ele tendo outras pessoas e ela não. Mesmo vendo fios de cabelos loiros na cama dele, ela escolhia ficar pelos momentos bons que eles tinham juntos.

No fundo ela acreditava que ele gostava dela. O término não foi dos mais bonitos e dignos de um filme de romance como a Teodora gosta. Acho que podemos sim usar o termo "término", pois mesmo não sendo um namoro, existiu uma história.

Léo nunca prometeu o que não podia entregar. Nunca vendeu um futuro que não existia. Foi verdadeiro do jeito dele, dentro dos limites que escolheu viver. E isso também merece ser reconhecido.

Talvez tenha sido justamente essa honestidade que tornou tudo tão difícil. Porque é muito mais simples ir embora de quem nos machuca do que de alguém que nos trata bem, nos faz rir, nos abraça com carinho e, ainda assim, não consegue ocupar o lugar que gostaríamos que ocupasse.

A Théo demorou para ir embora. Não porque faltasse amor-próprio, mas porque acreditava que, se o sentimento era tão bonito, talvez um dia os desejos também se encontrassem.

Não se encontraram. E tudo bem. Viva a terapia!

Quando lembra do Léo, ela lembra das conversas intermináveis antes de dormir, dos pagodes que aprendeu a gostar e cantar todas as músicas, do vinho, da comida japonesa, das pizzas, dos filmes, do aniversário inesquecível e da leveza que existia quando estavam juntos.

Algumas pessoas não foram feitas para permanecer. Foram feitas para deixar boas lembranças, ensinar alguma coisa e seguir o próprio caminho.

E o Léo foi exatamente isso: um capítulo bonito da história da Théo. Não o último. Apenas um daqueles que a gente fecha com carinho, gratidão e a certeza de que algumas pessoas merecem ser lembradas pelo bem que fizeram, mesmo quando não ficaram.

Ansiosa pela próxima história da Théo e na torcida para que ela realmente encontre o que tanto busca e almeja.





quarta-feira, 24 de junho de 2026

Inferno astral

Ontem foi aniversário da Théo e hoje tive uma conversa franca com ela sobre a vida e suas particularidades. Sobre aquilo que muitas vezes julgamos essencial, quando, na verdade, talvez não seja tanto assim.

Já sabemos que o que se leva desta vida é a vida que se leva, mas, no fundo, todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite.  Assim como nós todas, ela espera um romance, um carinho, uma mensagem, uma atenção especial.

Ela gosta da ideia de dividir dias. E silêncios. E histórias. E depois, sem perceber, começa a dividir também expectativas. E, para ser sincera, nem é só aos sábados. Quase sempre buscamos alguém para dividir os dias, os momentos e até os silêncios.

Essas coisas costumam acontecer quando não estamos procurando. Quando a vida está leve, quando o coração está em paz e quando aprendemos a ser felizes com a própria companhia. Porque, antes de encontrar alguém que queira ficar, precisamos estar bem conosco mesmos.

A cabecinha da Theodora é um pouco mais delicada. Tenho a impressão de que cancerianos gostam de sonhar acordados. De criar expectativas, imaginar futuros perfeitos e, muitas vezes, esquecer que a vida acontece no presente. No último relacionamento, isso ficou ainda mais evidente. Ela queria construção. Ele queria presença. Ela queria continuidade. Ele queria o agora.  E entre o que ela esperava e o que ele podia oferecer, havia um espaço que nunca deixou de existir.

Ela ainda acredita que amor muda pessoas. Não de forma declarada. Mas no gesto silencioso de insistir, cuidar, permanecer. Como se o suficiente dela pudesse, um dia, fazer o outro ficar diferente, mas não faz. Ninguém muda porque alguém deseja. Mudanças acontecem sozinhas. Por dentro. Quando já não dá mais para continuar sendo o mesmo.

E talvez o aprendizado mais difícil seja esse: não é sobre esperar alguém mudar. É sobre perceber quando isso não vai acontecer.

Ultimamente, tenho sentido a Théo mais quieta. Não menos intensa. Só mais silenciosa com ela mesma. Como se estivesse aprendendo a não dizer tudo o que sente em voz alta.

E isso me entristece um pouco. Porque ela sempre teve brilho. Aquele tipo de brilho que não depende de ninguém, mas às vezes, depois de algumas quedas, a gente começa a duvidar do próprio reflexo.

Ela ainda está se reconstruindo disso. De expectativas que não encontraram destino. De amores que ficaram no meio do caminho. De histórias que foram mais vividas na imaginação do que na realidade.

Mas existe algo importante acontecendo agora. Ela está olhando para dentro. Ainda com resistência. Ainda com dúvidas. Mas está. E talvez isso seja o começo de tudo.

Porque aprender a ficar bem sozinho não é sobre não precisar de ninguém. É sobre não se abandonar enquanto espera alguém chegar. E isso dói. Mais do que parece. Mais do que ela costuma admitir. Mas também passa.

No fim das contas, o que conversamos ontem foi isso: nem tudo o que a gente deseja está pronto para ficar. E nem tudo o que fica, faz bem. E aceitar isso não é desistir. É amadurecer sem se endurecer.

Talvez essa fase seja só um intervalo. Um respiro entre histórias. Um silêncio antes de algo novo. E como o aniversário dela foi ontem, gosto de pensar que existe algo simbólico nisso também. Um ciclo que se fecha. Outro que começa. Sem pressa. Sem roteiro. E, se a vida tiver um mínimo de bom humor, talvez ela ainda guarde para a Théo uma história bonita. Daquelas que não precisam ser imaginadas antes de acontecer.

Porque essa, ela merece viver inteira.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Paris, a cidade luz ou a cidade do amor?

FEVEREIRO DE 2023

O que era para ser uma simples ida a Paris, por incrível que pareça, virou uma viagem digna dos filmes preferidos da Theodora — que vocês já sabem quais são, não é? Os de comédia romântica.

A Théo sempre foi incrível em fazer boas amizades. Em todo lugar por onde passou neste mundo, sempre foi muito querida.

Morando fora do Brasil, não foi diferente. Nos seus primeiros dias de pós-graduação na Universidade Católica de Lisboa, conheceu aquela que viria a ser sua amiga inseparável em Portugal. Era ela quem a ouvia e dona dos melhores conselhos do mundo inteiro: a Pati. Patrícia, para vocês que não tiveram a oportunidade de conhecê-la.

A Pati era casada. Na verdade, ainda é. Graças a Deus, muito bem casada com o Antônio. E hoje já é avó de duas princesas. Ah, como esse mundo gira rápido! Incrível isso.

Pati tem um apartamento em Paris, de frente para a famosa Torre Eiffel, e sempre convidava a Théo para passar alguns dias com ela por lá. Completamente apaixonada pela Cidade Luz, Théo nunca conseguia dizer não à amiga. E nem era boba o suficiente para isso.

A viagem estava marcada para logo depois do Valentine's Day, comemorado na Europa e em diversos outros países no dia 14 de fevereiro.

E a danada da Théo, sem imaginar o que o destino lhe reservava, foi dançar um fim de semana antes da viagem em uma discoteca bastante conhecida dentro do Casino Estoril. Famosa por ser no cassino, porque vamos combinar, querida Theodora: ali a fama era de reunir pessoas muito acima da sua faixa etária, ao som de músicas que também não combinavam exatamente com a sua idade.

Mas o destino — ou o "Deustino" — é mesmo impressionante, minha gente.

Théo estava acompanhada da tia e de duas amigas portuguesas, muito queridas por sinal. Um pouco envergonhadas, ficaram próximas ao bar, dançando de longe, sem coragem de encarar a pista de dança.

E ali, bem ao lado delas, dois amigos observavam a pista da mesma forma, sem coragem de enfrentá-la.

Eram Pedro e Thomás.

Eles trabalhavam juntos em uma grande empresa de carros de luxo em Cascais onde Théo vivia. Pedro era brasileiro e tinha uma empresa de blindagem de veículos. Thomás era português e engenheiro mecânico.

Naquela noite, formaram um grupo improvável. Depois de muita conversa e troca de telefones a noite acabou e a história começou de verdade.

Thomás e Théo. Olha que os dois nomes começam com a mesma letra. Seria um sinal?

Marcaram um jantar para o Dia dos Namorados. Théo tinha aula antes e só podia naquele dia. Achei uma ótima estratégia da parte dela, porque assim poderia descobrir se ele realmente estava desimpedido. Afinal, hoje em dia não dá para confiar tão facilmente, não é mesmo?

E o restaurante escolhido? Adivinhem só.

O preferido da Théo, sem que ela jamais tivesse comentado isso com ele.

Uma conexão de outras vidas, será?

"Acho difícil você conseguir uma reserva para jantar hoje."

"Fique tranquila, minha querida Théo. O dono é cliente da empresa onde trabalho e já fez nossa reserva."

Uau.

Quando Théo me contou isso, pensei imediatamente: ela encontrou o que tanto procura.

Ah! E tem um detalhe importante sobre o Thomás. Ou melhor, alguns!

Ele não bebe, não come carne, toma apenas leite de soja e tem mais algumas particularidades que já não me lembro. Théodora me contou tudo isso há muito tempo, e só agora consegui colocar no papel.

Depois desse jantar veio outro.

No dia seguinte, em um restaurante bastante famoso em Portugal. Dessa vez, a escolha foi da Théo e a reserva também. É que ela receberia um amigo de infância que estava voltando de uma viagem de esqui pela França e faria uma passagem rapidíssima por Portugal.

Foi uma noite incrível. Thomás até bebeu uma taça de cerveja que lhe ofereceram.

No dia seguinte, Theodora viajou para Paris e, pasmem: mesmo depois de três encontros, ela e Thomás ainda não haviam se beijado.

Ele era realmente um gentleman, diferente de tudo o que ela já tinha conhecido. Eu fiquei chocada quando ela me contou.

Os olhos da Théo sempre brilham quando ela volta a Paris. Na primeira vez em que esteve lá, prometeu a si mesma que um dia retornaria com o grande amor da sua vida.

Mas nem tudo aconteceu como ela imaginava.

Ela já havia visitado a cidade com um antigo namorado, aquele que acreditava ser o amor da sua vida. Mas, no fim das contas, surpresa: não era nada disso.

Enquanto ela estava em Paris, ela e Thomás trocavam mensagens o dia inteiro. E uma delas mexeu especialmente com seu coração.

"Olha que eu vou a Paris ter contigo."

E ele foi mesmo.

No dia seguinte, já estava tudo organizado: flat reservado, voo comprado e restaurantes escolhidos.

"Meu Deus, parece um sonho."

Era isso que Théo repetia para si mesma enquanto aguardava a chegada de Thomás à Cidade Luz.

Ela tinha o sonho de conhecer um restaurante muito famoso que possuía uma discoteca logo abaixo. Havia feito a reserva para ir sozinha, mas acabou vivendo uma das melhores noites da sua vida muito bem acompanhada.

Thomás falava inglês fluentemente e sempre conduzia os pedidos, as localizações e até as conversas com novos amigos que encontravam pelo caminho.

A primeira foto juntos foi tirada em frente ao Arco do Triunfo, numa sexta-feira à noite.

Fazia muito frio e Thomás não havia levado um casaco adequado para as baixas temperaturas. Então passaram boa parte do tempo abraçados, tentando se aquecer.

Dormiram juntos.

Depois visitaram o Louvre para ver a Mona Lisa, comeram macarons na Ladurée, subiram à Torre Eiffel — era a primeira vez de Thomás na cidade.

E, ao final de cada dia, sentavam-se em frente à torre para admirar a vista, ouvir "Another Love" sendo tocada no teclado por um músico francês e ajudar casais que tentavam tirar a foto perfeita diante do principal cartão-postal da cidade, mas só conseguiam fazer selfies.

Era divertido.

Foram dias incríveis.

Ah! Antes que eu me esqueça... vocês devem estar se perguntando quando aconteceu o primeiro beijo desse casal, não é?

Thomás imaginava que esse momento aconteceria em frente à Torre Eiffel.

Mas a Théo estava tão encantada, tão apaixonada e tão impressionada com tudo aquilo que resolveu tomar a iniciativa.

Deu um beijo nele no elevador do prédio da Pati.

Naquela noite, Pati havia preparado um jantar especial para receber Thomás, além de um casal de amigos dela e do Antônio.

Agora me digam: conseguiram entender por que uma simples viagem a Paris acabou se transformando em um verdadeiro filme de comédia romântica?

Thomás passou aquele fim de semana com Théo em Paris.

Ela ainda permaneceu por lá alguns dias, como já estava combinado desde o início com a amiga.

Uma surpresa linda que o destino resolveu escrever.

E uma história que tenho certeza de que a Théo jamais vai esquecer.







Será mesmo que amanhã é um novo dia?

Entre tantas coisas novas na vida da nossa querida e amada Theodora a principal foi sua volta para o Brasil! Depois de um tempo fora, duas pós-graduação, muitas viagens, amores perdidos, amizades novas ela resolveu voltar.

Ela ganhou um sobrinho perfeitinho enquanto estava morando fora e essa parte mexeu muito com o coraçãozinho da nossa Théo. O que ela mais queria era vê-lo crescer bem de pertinho. Recebeu uma proposta de trabalho do seu primo, vendeu seu carro, arrumou suas malas e foi se embora de Portugal para o Brasil. Literalmente de mala e cuia.

Nos primeiros meses foi tudo à base de muita terapia. Muita mesmo! Voltar ao lugar que você reconhecia como seu e que de repente não o reconhece mais como seu, é um misto de sentimentos muito difícil administrar. 

Casa cheia! Ela voltou para a casa da mãe, seu cantinho no mundo. Onde ela tinha amor, acolhimento e muita atenção. Onde ela sabia que poderia viver o tempo que pudesse pelo mundo, mas quando quisesse voltar, o seu lugar estava sempre ali guardadinho e quentinho de afeto.

Mas Théo tinha um sonho de ter o seu cantinho, receber seus amigos e viver sua solitude. Sempre muito ousada à frente de seu tempo, ela alugou um apartamento e pra lá se mudou. Começou do zero e comprou tudo devagarinho. A vida dela ia se ajeitando de cena em cena. Exatamente como em um filme de comédia romântica. Os preferidos dela.

Mas se toda comédia romântica tem um grande amor, no filme da vida da Théo, ainda faltava esse personagem. Na verdade ainda falta! Theodora ainda não teve a sorte de um amor tranquilo como já dizia nosso saudoso Cazuza. Acho que o problema dela está em buscar "algo" e apaixonar-se por pessoas que não tem aquele "algo buscado" para te oferecer. Ai meu amor, não tem reza que vale, nem terapia que suporte a explosão de sentimentos inconscientes, vulneráveis e fracassados.  

Se amanhã é um novo dia ou não, nem mesmo a Théo sabe. Mas ai já é uma outra história que prometo  contar em detalhes!


Beijos queridos leitores, no total de zero. rs


segunda-feira, 22 de maio de 2023

Entre crônicas e bibliografias

 Alô, Alô aqui quem fala é a Eme!

Estou aqui tentando escrever meus textos para os trabalhos finais da minha última pós-graduação. Eu disse: ÚLTIMA! Eu ouvi um amém? risos

Claro que vou aproveitar que as aventuras da vida amorosa da Theodora estão mais parada do que água de represa para escrever meus trabalhos finais da pós. 

É por isso que ela sumiu um pouco daqui. Não tem nada pra contar coitadinha, nenhuma novidade sequer. Tá numa bad! Perdeu um amor e eu bem que avisei: Ninguém fala te amo assim tão rápido. Duvide sempre quando isso acontecer. E ela nem me deu ouvidos.

AH! ela também pegou conversa dele com a ex-namorada no computador. Ela me pediu pra não contar isso pra ninguém, mas pronto - falei.

Deixa ela lá no mundinho dela pensando na vida. Enquanto isso eu vou escrevendo meus textos, atualizando meu trabalho (porque ela com sua vida maluca, não me deixa trabalhar direito) e vivendo como tem que ser, viajando, passeando e trabalhando.

O verão está chegando e acho que vai ter muito texto legal da Théo. Ela vai viajar e vai ter uma baita história para contar. Já que ela deu um tempo na vida sentimental, a vida aventureira ela resolveu colocar pra jogo. Vem muita viagem e muita coisa boa por aí!

Enquanto isso, sigo eu, Eme, com meus textos sem saber o que escrever. São duas crônicas de 5 páginas cada! SOCORRO! Além disso tem também um texto bibliográfico. Tô na dúvida se faço uma biografia da Théo ou minha mesmo. 

Os dias por aqui estão meio sem graça. Não sei se é porque eu tenho muito trabalho ou se é porque os dias estão chuvosos. Morar perto do mar é vida, mas com chuva dá uma tristezinha danada!

Bom, já são 22h12 e o Mirtazapina já está começando a fazer efeito. Sigo sem conseguir começar os 3 textos que tenho pra entregar, mas foi bom vir aqui falar/escrever sozinha, sempre é!


Beijos de Luz 

segunda-feira, 8 de maio de 2023

É preciso deixar ir

 Eu acredito que nada nessa vida acontece por acaso e no meio do caos da Theodora, uma viagem de última hora surgiu. Foi ela mesmo que inventou a viagem, ela sempre tem esses repentes e acha sempre que as feridas se curam quando ela está perto da família.

Não é bem assim que as coisas funcionam, mas ela é teimosa que só, lá se foi para o Brasil com uma bagagem de mão, muita saudade da família e um coração partido. De todos os lugares que ela ama no mundo, o Brasil é, sem dúvida nenhuma, seu canto, sua paz, seu respirar. É la que ela tem colo, que ela tem amor de verdade, cuidado e proteção.

É bom colecionar momentos felizes ao lado de quem se ama. O verde da grama cheia de flores brancas derrubadas com a chuva fina que caia quando ela chegou se uniram aos sorrisos e abraços de seus pais e fizeram com que tudo que a abatia desaparecesse. Sorrisos e abraços são sempre muito poderosos, principalmente quando são verdadeiros e cheios de amor.

Os dias eram alegres.  A cadela da Théo não saia de perto dela e a cada olhadela Magie recebia um abraço apertado que seus olhos que já eram esbugalhados por conta da sua raça, quase saltavam fora do rosto.

Théo não quis saber de comer carne de frango enquanto estava no Brasil. Essa foi uma das exigências feitas à sua maravilhosa mãe. É que Théo não é muito boa na cozinha e frango é a carne mais fácil e rápida de se preparar e é o que ela sempre faz quando está em sua casa cozinhando para ela mesma. Sempre com um tempero, uma maionese e 15 minutos na Air Fryer ela resolvia seu almoço.

As refeições eram sempre com todos à mesa. Casa cheia, alegria, felicidade e muito amor. Os laches e os cafés da manhã (pequenos alomoços) eram recheados de bolos de trigo com coberturas especiais, cafés, pães de queijos, sucos (sumos) e coca-colas - uma das paixões de Théo. Cada dia tinha um bolo diferente. Muito mimo para a pequena grande Théodora.

A casa estava sempre cheia de amigos, familiares e o coração da Théo também. Nem tinha espaço para falta de amor! Graças a Deus né?

Théo aproveitou o seu plano de saúde para fazer alguns exames de rotina que já estavam marcados antes do seu embarque para o Brasil. Sempre centrada, abril é o mês rotineiro para esses exames. Tudo certo, se não fosse uma imagem nova no seu transvaginal e ela se perguntando que diabos era aquilo.

 "Um pólipo, você precisa tirar isso do seu útero antes de ir embora".

 "O que é isso? Eu tenho uma semana aqui doutor, não posso ir embora com isso aí?"

"É preciso fazer uma biópsia, na maioria dos casos esses tumores são benignos, mas eles também podem não ser e não podem ficar ai."

"Eu posso ser mãe?"

"Com ele ai, NÃO".

Théo saiu do consultório sem saber o que fazer e pra onde ir. Atravessou a rua e tentou marcar um exame para a biópsia, Meu Deus, biópsia! Ela já sentia uma dor no peito só de mencionar essa palavra e existir a possibilidade de algo mal.

Não tinha vaga para o exame nem tão logo. Mesmo assim conseguiu para três dias depois um encaixe. O médico a atenderia na hora que desse certo. Na saída da clínica, do outro lado da rua, um carro branco parado, e uma mulher gritava seu nome. Era sua tia, que no meio de uma cidade com um milhão e meio de habitantes estava na hora certa e no lugar certo.

Théo já logo contou e dali partiram para um almoço sem nada combinado por elas, mas tudo planejado por Deus. Uma amiga que já ia almoçar com a tia de Théo, era grande amiga do dono da clínica que a Théo conseguiu um encaixe tardio para seu exame. Com uma ligação dela, a data do exame foi alterada para o dia seguinte como emergência. 

Dali Théo seguiu para uma tarde inteira de trabalho com o cliente que ela tinha no Brasil. Um médico cirurgião plástico. Ela já não conseguia pensar em que conteúdo criariam juntos ali, ela, ele e toda a sua equipe. Na cabeça dela a todo momento aparecia a palavra BIÓPSIA!

No final deu certo, fizeram os conteúdos e as fotos. Théo trabalhava com Marketing Digital. Já era noite quando ela chegou em casa, sua mãe a esperava no portão com um abraço que amparava suas lágrimas de medo, susto e incertezas. Um abraça que a trazia paz e conforto!

No dia seguinte, há exatamente 7 dias do seu voo de volta e de um trabalho marcado em Portugal que não se dava para adiar - Théo faria cobertura de um congresso de cirurgia plástica em Lisboa - o exame foi feito e o médico a tranquilizou sobre a procedência do pólipo. É benigno, mas vamos fazer a biópsia de qualquer forma para confirmar. fique tranquila. A cirurgia é de emergência, vamos fazer daqui a dois dias.

"Dois dias?  Meu Deus! Tenho dois dias para fazer os exames e o risco cirúrgico!"

Foi uma correria, uma loucura, mas ela conseguiu. Essa mulher é danada e Deus cuidou de tudo. Desde o começo foi Ele que a levou ao Brasil porque ele sabia que ela precisava cuidar disso o quanto antes; Deus dos detalhes, cuida de tudo. Até da colega de apartamento no hospital Deus cuidou.

Théo não podia ter acompanhante por ter mais de 30 anos, então subiu sozinha para a ala de internação. Quando chegou no seu apartamento, tinha uma moça linda, com infecção renal acompanhada da sua mãe. Duas queridas e lindas que fizeram as 24 horas da Theodora ali serem as mais confortáveis possíveis, mas ir para o centro cirúrgico deitada naquela maca parecia que ela estava andando no leito de morte. A sensação era a pior possível. Théo foi forte, a cirurgia correu bem e o médico voltou a falar em benignidade.

O tempo no hospital passou voando e de volta a casa, Théo foi ainda mais mimada e recebeu visitas e muito amor também. Voltou a conseguir dormir e a comer. Mais uma biópsia foi feita, dessa vez, de todo o pólipo que foi tirado do útero. Era muita confirmação para a cabeça da pequena Théo que a essas horas já estava dando voltas. Imagina ir de férias, curar um coração e do nada ter que fazer uma cirurgia de emergência por conta de um pólipo no útero. Foi eita atrás de eita.

Recuperação excelente e a vida seguindo normalmente. Théo não parou de trabalhar enquanto estava no Brasil. Com os horários diferentes dos clientes de Portugal e Alemanha, muitas vezes ela acordava no meio da madrugada para reuniões e planejamento com os clientes.

Cinco dias grudados na família e com idas e vindas ao hospital. É chegada a hora de voltar pra casa. A alta médica veio, tudo certo com o útero. Forninho pronto segundo o médico - termo usado para dizer que ali já pode receber um bebê. Théo logo pensou: "Agora falta o arranjar um pai que preste". risos

O voo de volta foi tranquilo e a chegada também. Uma recepção boa que a Théo sentia saudades. Apensar dos pesares, é bom saber que em algum momento alguém te espera no desembarque. Ela lembrou do abraço caloroso da última despedida e de repente aquele esperar ali já não fazia mais tanto sentindo como fez um dia, mas foi importante. 





domingo, 9 de abril de 2023

Os filmes que nunca foram vistos

O tempo era bom, os sorrisos eram singelos e distribuídos na medida que cada um precisava. 

Massa com molho de soja e camarão, acho que foi esse o primeiro menu. O sofá era o melhor lugar da casa, aconchegante e cheio de almofadas fofinhas. Ah, e tinha também um cobertor bem quentinho cinco estrelas. Era ali que os dois viajavam e despejavam um sobre o outro os desejos e sonhos do coração. A sintonia era incrível e quase todos os sonhos eram incomuns. O coração de Théo ficava quentinho de tanto amor.





EM CONSTRUÇÃO...