FEVEREIRO DE 2023
O que era para ser uma simples ida a Paris, por incrível que pareça, virou uma viagem digna dos filmes preferidos da Theodora — que vocês já sabem quais são, não é? Os de comédia romântica.
A Théo sempre foi incrível em fazer boas amizades. Em todo lugar por onde passou neste mundo, sempre foi muito querida.
Morando fora do Brasil, não foi diferente. Nos seus primeiros dias de pós-graduação na Universidade Católica de Lisboa, conheceu aquela que viria a ser sua amiga inseparável em Portugal. Era ela quem a ouvia e dona dos melhores conselhos do mundo inteiro: a Pati. Patrícia, para vocês que não tiveram a oportunidade de conhecê-la.
A Pati era casada. Na verdade, ainda é. Graças a Deus, muito bem casada com o Antônio. E hoje já é avó de duas princesas. Ah, como esse mundo gira rápido! Incrível isso.
Pati tem um apartamento em Paris, de frente para a famosa Torre Eiffel, e sempre convidava a Théo para passar alguns dias com ela por lá. Completamente apaixonada pela Cidade Luz, Théo nunca conseguia dizer não à amiga. E nem era boba o suficiente para isso.
A viagem estava marcada para logo depois do Valentine's Day, comemorado na Europa e em diversos outros países no dia 14 de fevereiro.
E a danada da Théo, sem imaginar o que o destino lhe reservava, foi dançar um fim de semana antes da viagem em uma discoteca bastante conhecida dentro do Casino Estoril. Famosa por ser no cassino, porque vamos combinar, querida Theodora: ali a fama era de reunir pessoas muito acima da sua faixa etária, ao som de músicas que também não combinavam exatamente com a sua idade.
Mas o destino — ou o "Deustino" — é mesmo impressionante, minha gente.
Théo estava acompanhada da tia e de duas amigas portuguesas, muito queridas por sinal. Um pouco envergonhadas, ficaram próximas ao bar, dançando de longe, sem coragem de encarar a pista de dança.
E ali, bem ao lado delas, dois amigos observavam a pista da mesma forma, sem coragem de enfrentá-la.
Eram Pedro e Thomás.
Eles trabalhavam juntos em uma grande empresa de carros de luxo em Cascais onde Théo vivia. Pedro era brasileiro e tinha uma empresa de blindagem de veículos. Thomás era português e engenheiro mecânico.
Naquela noite, formaram um grupo improvável. Depois de muita conversa e troca de telefones a noite acabou e a história começou de verdade.
Thomás e Théo. Olha que os dois nomes começam com a mesma letra. Seria um sinal?
Marcaram um jantar para o Dia dos Namorados. Théo tinha aula antes e só podia naquele dia. Achei uma ótima estratégia da parte dela, porque assim poderia descobrir se ele realmente estava desimpedido. Afinal, hoje em dia não dá para confiar tão facilmente, não é mesmo?
E o restaurante escolhido? Adivinhem só.
O preferido da Théo, sem que ela jamais tivesse comentado isso com ele.
Uma conexão de outras vidas, será?
"Acho difícil você conseguir uma reserva para jantar hoje."
"Fique tranquila, minha querida Théo. O dono é cliente da empresa onde trabalho e já fez nossa reserva."
Uau.
Quando Théo me contou isso, pensei imediatamente: ela encontrou o que tanto procura.
Ah! E tem um detalhe importante sobre o Thomás. Ou melhor, alguns!
Ele não bebe, não come carne, toma apenas leite de soja e tem mais algumas particularidades que já não me lembro. Théodora me contou tudo isso há muito tempo, e só agora consegui colocar no papel.
Depois desse jantar veio outro.
No dia seguinte, em um restaurante bastante famoso em Portugal. Dessa vez, a escolha foi da Théo e a reserva também. É que ela receberia um amigo de infância que estava voltando de uma viagem de esqui pela França e faria uma passagem rapidíssima por Portugal.
Foi uma noite incrível. Thomás até bebeu uma taça de cerveja que lhe ofereceram.
No dia seguinte, Theodora viajou para Paris e, pasmem: mesmo depois de três encontros, ela e Thomás ainda não haviam se beijado.
Ele era realmente um gentleman, diferente de tudo o que ela já tinha conhecido. Eu fiquei chocada quando ela me contou.
Os olhos da Théo sempre brilham quando ela volta a Paris. Na primeira vez em que esteve lá, prometeu a si mesma que um dia retornaria com o grande amor da sua vida.
Mas nem tudo aconteceu como ela imaginava.
Ela já havia visitado a cidade com um antigo namorado, aquele que acreditava ser o amor da sua vida. Mas, no fim das contas, surpresa: não era nada disso.
Enquanto ela estava em Paris, ela e Thomás trocavam mensagens o dia inteiro. E uma delas mexeu especialmente com seu coração.
"Olha que eu vou a Paris ter contigo."
E ele foi mesmo.
No dia seguinte, já estava tudo organizado: flat reservado, voo comprado e restaurantes escolhidos.
"Meu Deus, parece um sonho."
Era isso que Théo repetia para si mesma enquanto aguardava a chegada de Thomás à Cidade Luz.
Ela tinha o sonho de conhecer um restaurante muito famoso que possuía uma discoteca logo abaixo. Havia feito a reserva para ir sozinha, mas acabou vivendo uma das melhores noites da sua vida muito bem acompanhada.
Thomás falava inglês fluentemente e sempre conduzia os pedidos, as localizações e até as conversas com novos amigos que encontravam pelo caminho.
A primeira foto juntos foi tirada em frente ao Arco do Triunfo, numa sexta-feira à noite.
Fazia muito frio e Thomás não havia levado um casaco adequado para as baixas temperaturas. Então passaram boa parte do tempo abraçados, tentando se aquecer.
Dormiram juntos.
Depois visitaram o Louvre para ver a Mona Lisa, comeram macarons na Ladurée, subiram à Torre Eiffel — era a primeira vez de Thomás na cidade.
E, ao final de cada dia, sentavam-se em frente à torre para admirar a vista, ouvir "Another Love" sendo tocada no teclado por um músico francês e ajudar casais que tentavam tirar a foto perfeita diante do principal cartão-postal da cidade, mas só conseguiam fazer selfies.
Era divertido.
Foram dias incríveis.
Ah! Antes que eu me esqueça... vocês devem estar se perguntando quando aconteceu o primeiro beijo desse casal, não é?
Thomás imaginava que esse momento aconteceria em frente à Torre Eiffel.
Mas a Théo estava tão encantada, tão apaixonada e tão impressionada com tudo aquilo que resolveu tomar a iniciativa.
Deu um beijo nele no elevador do prédio da Pati.
Naquela noite, Pati havia preparado um jantar especial para receber Thomás, além de um casal de amigos dela e do Antônio.
Agora me digam: conseguiram entender por que uma simples viagem a Paris acabou se transformando em um verdadeiro filme de comédia romântica?
Thomás passou aquele fim de semana com Théo em Paris.
Ela ainda permaneceu por lá alguns dias, como já estava combinado desde o início com a amiga.
Uma surpresa linda que o destino resolveu escrever.
E uma história que tenho certeza de que a Théo jamais vai esquecer.
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