Barba cerrada, estilo "mauricinho", cabelos pretos, sorriso fácil e gostos muito parecidos com os dela. Esse é o tipo de homem que costuma chamar a atenção da querida Theodora. Engraçado perceber que, olhando para os seus últimos relacionamentos, todos seguiam praticamente o mesmo perfil. E, depois que voltou ao Brasil, o primeiro romance também não fugiu à regra.
Na verdade, Leonardo tinha, sim, uma característica que
destoava dos antigos pares românticos da Théo: era apaixonado por pagode. E
Theodora nunca foi adepta do gênero.
Lembro de uma vez em que Laura, uma amiga jornalista de Théo
que estava em Portugal fazendo mestrado, comemorou o aniversário em uma
cervejaria famosa de Lisboa. O dia inteiro teve samba e pagode ao vivo. Théo
foi por causa da amiga. Não sabia cantar uma música sequer e se sentiu mais
perdida que cego em tiroteio. Laura, ao convidá-la, foi categórica:
— Amiga, eu sei que não é a sua praia, mas queria muito que
você fosse.
E ela foi. Bebeu uma cerveja incrível, aproveitou o dia ao
lado da Laura e das outras amigas e viveu uma experiência diferente. Mas isso
não foi suficiente para mudar sua opinião sobre o estilo musical.
Agora adivinhem onde Théo conheceu Léo.
Pasmem.
Num bar com as amigas, assistindo a um show de pagode. Léo
era amigo delas. Dali em diante, era pagode, cerveja e mais pagode. E Théo
continuava sem saber cantar nenhuma música.
O primeiro date foi em um bar de rock, o que também não era
exatamente a praia da Théo. Mas, como a banda tocava muito pop rock, ficou bem
mais fácil entrar no clima. E Léo era tão agradável que tudo fluía com uma
naturalidade impressionante.
Os encontros passaram a acontecer cada vez mais. O pagode
continuava presente em praticamente todos eles. Até o primeiro momento mais
íntimo, se é que vocês me entendem, teve como trilha sonora um pagode. Jesus! O
puro suco do Brasil!
Uma noite, em especial, ficou guardada no coração da Théo.
Era o aniversário dela. Os dois passaram a noite juntos, entre vinho, comida
japonesa e uma playlist que, dessa vez, também tinha sertanejo. Mas a música passou a ser o que menos importava. O que tornou aquela noite inesquecível foi a forma
como ela se sentiu e foi amada.
Léo tinha um jeito de manter o coração da Théo sempre
presente. Não sei explicar exatamente por quê, mas havia algo entre os dois que
parecia muito verdadeiro.
Um tempo bom de histórias em que o coração dela estava
sempre ali, mas o dele não. Léo como todos nós, já tinha uma história de vida que
ainda era muito presente. Ele também gostava de viver amores diferentes, talvez
para não se sentir preso a ninguém ou talvez para não viver o que já viveu.
Essa parte Théo nunca entendeu muito bem e acredito que nem existe a
necessidade de entender. Já falei isso a ela.
Cada pessoa ama de um jeito e deseja uma vida diferente. O difícil não é enxergar isso. O difícil é aceitar que alguém pode gostar de nós e, ainda assim, não querer caminhar na mesma direção.
E, aos poucos, o silêncio passou a durar mais do que as palavras.
Léo não era só companhia de bar ou de música alta. Ele virava presença. Eles gostavam de ficar em casa, no silêncio confortável de quem já não precisa impressionar. No começo, Teodora ainda se encolhia um pouco nos primeiros filmes. Havia uma espécie de cuidado, quase uma timidez em se encostar nele, mas isso foi mudando sem que ela percebesse.
Com o tempo, a cama da casa dele ou o sofá da casa dela viraram
os lugares preferidos dos dois. O braço dele passou a ser onde ela
automaticamente repousava a cabeça. E aquilo que antes parecia um gesto simples
começou a ter outro peso.
Os filmes já não tinham mais a vergonha do início. Tinham pertencimento. Até depois do amor, ficar ali abraçada virou o momento favorito
dela, como se, naquele silêncio, ela pudesse sentir o coração dele batendo
forte e entender, sem palavras, que estava tudo bem.
Léo era incrível, um super pai, filho, amigo. Era divertido,
a conversa era tão boa que os dois ficavam horas deitados conversando antes de
adormecerem. E ele sempre deixou muito claro que não queria namorar. E talvez o mais curioso fosse isso: ele nunca confundiu as coisas. O que
também não era o que a Théo queria no início. Imagina só, ela recém chegada ao
Brasil, tinha ainda aquela história de Rio de Janeiro-Lisboa que martelava sua
cabeça e coração diariamente, que ali ela resolveu viver o que o destino estava te apresentando
naquele momento.
Mas, como uma boa canceriana, demorou pouco para a Théo transformar migalhas em banquete. Quando a gente sente falta de um amor inteiro, qualquer pedaço parece suficiente. Ela já
não conseguia sair daquele relacionamento, mesmo querendo algo a mais e ele não. Mesmo ele tendo
outras pessoas e ela não. Mesmo vendo fios de cabelos loiros na cama dele,
ela escolhia ficar pelos momentos bons que eles tinham juntos.
No fundo ela acreditava que ele gostava dela. O término não foi dos mais bonitos e dignos de um filme de romance como a Teodora gosta. Acho que podemos sim usar o termo "término", pois mesmo não sendo um namoro, existiu uma história.
Léo nunca prometeu o que não podia entregar. Nunca vendeu um
futuro que não existia. Foi verdadeiro do jeito dele, dentro dos limites que
escolheu viver. E isso também merece ser reconhecido.
Talvez tenha sido justamente essa honestidade que tornou
tudo tão difícil. Porque é muito mais simples ir embora de quem nos machuca do
que de alguém que nos trata bem, nos faz rir, nos abraça com carinho e, ainda
assim, não consegue ocupar o lugar que gostaríamos que ocupasse.
A Théo demorou para ir embora. Não porque faltasse
amor-próprio, mas porque acreditava que, se o sentimento era tão bonito, talvez
um dia os desejos também se encontrassem.
Não se encontraram. E tudo bem. Viva a terapia!
Quando lembra do Léo, ela lembra das conversas intermináveis
antes de dormir, dos pagodes que aprendeu a gostar e cantar todas as músicas,
do vinho, da comida japonesa, das pizzas, dos filmes, do aniversário
inesquecível e da leveza que existia quando estavam juntos.
Algumas pessoas não foram feitas para permanecer. Foram
feitas para deixar boas lembranças, ensinar alguma coisa e seguir o próprio
caminho.
E o Léo foi exatamente isso: um capítulo bonito da história
da Théo. Não o último. Apenas um daqueles que a gente fecha com carinho,
gratidão e a certeza de que algumas pessoas merecem ser lembradas pelo bem que
fizeram, mesmo quando não ficaram.
Ansiosa pela próxima história da Théo e na torcida para que ela realmente encontre o que tanto busca e almeja.

3 comentários:
Também estou ansiosa pra próxima história romântica de Theo!!
Que bom! Tem algo novo vindo por aí!
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